Estadão
Estadão

Procuradoria pede continuidade das investigações contra Cabral e Pezão na Lava Jato

Ambos são investigados por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás revelado pela operação

Gustavo Aguiar e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2015 | 17h29

Brasília - A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta quinta-feira, 29, para que o Tribunal mantenha o inquérito contra o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e o antecessor dele no cargo, Sérgio Cabral (PMDB). Ambos são investigados por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás revelado pela Lava Jato. 

Em setembro, a Polícia Federal havia pedido ao STJ que o inquérito contra Pezão e Cabral seja arquivado por falta de provas. O pedido enviado nesta quinta pela PGR contraria, portanto, essa avaliação. Os dois são investigados por suspeita de terem recebido R$ 30 milhões em propina de empreiteiras que atuaram nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) como "caixa 2" para a campanha à reeleição de Cabral ao governo do Rio em 2010. Na época, Pezão era vice na chapa de Cabral.

De acordo com o documento, assinado pela vice-procuradora geral da República, Ela Wiecko, "há dados que ainda necessitam de esclarecimentos complementares" sobre a suspeita de que as campanhas eleitorais dos peemedebistas possam ter sido financiadas com propina desviada de contratos da Petrobrás. 

A vice-procuradora geral lembra no pedido as informações sobre a suposta participação de Pezão e Cabral no escândalo da Petrobrás, que foram fornecidas pelo ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, em acordo de delação premiada.

Ela Wiecko destaca os supostos repasses das empresas Alusa, Skanska, Techint, OAS, UTC e Odebrecht, que mantinham contratos com a Petrobrás, ao diretório do PMDB no Rio de Janeiro. De acordo com Wiecko, "a apuração realizada até o momento confirmou a informação de Paulo Roberto Costa sobre a reunião realizada em 2010" entre o ex-diretor da estatal e executivos dessas empresas para discutir repasses para o PMDB. 

Cesar Luiz de Godoy Pereira, executivo da Alusa, confirmou à Polícia Federal o repasse de R$ 500 mil ao diretório do partido no Rio de Janeiro. Além disso, documentos também comprovaram que o PMDB recebeu R$ 200 mil durante a campanha eleitoral de 2010. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.