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MARCIO FERNANDES|ESTADÃO

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ATIBAIA

Procuradores investigam antena da Oi em sítio de Atibaia

Núcleo da Lava Jato enviou ontem email ao Cartório de Registro de Imóveis para descobrir quem aluga a área para operadora

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Guilherme Zanetti Mazieiro,
O ESTADO DE S.PAULO

17 Fevereiro 2016 | 20h11

ATIBAIA - Procuradores da República do núcleo da Operação Lava Jato investigam a instalação de uma antena de telefonia móvel da Oi construída a cerca de 300 metros da entrada do sítio Santa Bárbara, que é visitado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua família desde 2011.

Os procuradores fizeram ontem uma solicitação informal por email ao Cartório de Registro de Imóveis de Atibaia para descobrirem quem é o dono das terras onde foi instalada a antena, em 2011.

Reportagem do jornal Valor Econômico revelou, nessa segunda-feira, 15, que em 2011, mesmo ano em que o sítio em Atibaia foi reformado, a Oi instalou próximo da propriedade uma antena tratada por moradores como “a torre do Lula”. Nesta quarta-feira, 17, o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem na qual afirma que José Zunga, ex-sindicalista ligado ao PT e amigo do ex-presidente, fez gestões internas na empresa para que a antena fosse instalada ao lado do sítio em Atibaia. O imóvel foi comprado em 2010 e está registrado em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente.

No email foi anexada uma cópia da lista de Estações por Endereço da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com as coordenadas de onde se encontra a antena. No registro há o endereço "Travessa da Estrada Parque das Cascatas", sem número.

O cartório informou que a falta do número da rua dificulta a localização dos registros do dono da terras. Funcionários ressaltaram que a identificação fica ainda mais complexa em razão das marcações de terras da região não estarem detalhadas e completamente atualizadas.

Trabalhadores do cartório alegaram que é incomum órgãos públicos pedirem documentos e matrículas sem a expedição de ofícios e entenderam o pedido como uma maneira de agilizar as investigações até receberem algum ofício.

Celular. O porteiro do condomínio Clube da Montanha, localizado a 400 metros da antena, Josafá Queiroz, comprou um número da Oi há um ano, para ter condições de trabalhar no local.

"Quando comecei a trabalhar aqui todo mundo falava que só pegava Oi. Por isso comprei um chip da operadora de um funcionário do condomínio. Se não, ia ficar 12 horas por dia isolado do mundo durante o horário de trabalho", disse Queiroz, que reclama da baixa qualidade do sinal. "Cerca de 500 metros para baixo da antena, já não tem sinal nenhum. É só aqui mesmo que pega. Se não tiver Oi,  ninguém se comunica", considerou.

Uma moradora do local, que pediu para não ser identificada, afirmou que ao menos uma vez por mês operadores dão manutenção no sistema. Ela contou que no percurso de 7 km das linhas de ônibus coletivo entre a antena o bairro Portão, que dá acesso à Atibaia, o sinal é zero. "Quando vem gente de fora do bairro para cá temos que emprestar nosso celular para fazer ligações. Outras operadoras não funcionam mesmo. E a nossa (Oi) só aqui ao redor", afirmou.

À reportagem do Estado, José Zunga declarou, em e-mail, nesta quinta, 18. "Não tenho nenhuma relação ou responsabilidade sobre a antena mencionada. Desconheço o assunto. Não fui citado formalmente sobre o pedido da Polícia Federal ao qual você se refere. Desconheço o tema."  O Instituto Lula tem reiterado, via assessoria de imprensa, que o ex-presidente não é dono do Sítio Santa Bárbara, mas confirma que o petista frequenta a propriedade rural. A Oi não vai comentar o caso.

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