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Procurador quer militares em favelas do Rio já

Tiago Rogero - O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2014 | 21h 13

Ministério Público Eleitoral defende envio imediato das Forças Armadas para permitir campanha em regiões violentas; TRE analisa o assunto amanhã

 RIO - Com as crescentes denúncias de que traficantes e milicianos estão proibindo campanhas de candidatos em favelas do Rio, o Ministério Público Eleitoral já considera insuficiente a ação da Polícia Militar para garantir a continuidade das eleições. Para o procurador regional eleitoral do Rio, Paulo Roberto Bérenger, se faz necessária a presença das Forças Armadas já. 

“Na minha opinião e do Ministério Público Eleitoral, já se configura a necessidade de pedido de tropas militares. Somente a força do Estado do Rio não é suficiente para assegurar a paz e continuidade do processo eleitoral”, disse ele ao Estado. O problema se repete a cada processo eleitoral no Estado, inclusive com cobrança de “pedágios”.

Um reforço das Forças Armadas nos próximos dias superaria 2008, quando militares do Exército e da Marinha começaram a ocupação de comunidades do Rio 28 dias antes do primeiro turno. Em 2012, houve ocupação somente na semana que antecedeu a eleição. 

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio vai decidir, amanhã, se solicita o envio das tropas federais. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, comprometeu-se a entregar ao TRE relatório sobre as denúncias.

Beltrame classifica os relatos como “rumores infundados”. O TRE-RJ, porém, confirma ter recebido denúncias e a Polícia Civil diz haver investigação sobre o assunto na delegacia de Inhaúma, na zona norte, onde se concentra boa parte dos relatos. 

O problema chegou até mesmo às comunidades que contam com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). No complexo de favelas da Maré, ocupado desde abril pelas Forças Armadas e ainda sem UPP, há relatos de vetos a candidatos do PMDB. Há informações de problemas também na Rocinha, na zona sul, onde há uma UPP, e nas favelas de Del Castilho, zona norte, onde houve a tentativa de cobrança de um “pedágio” por milicianos.