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Procurador e advogado batem boca em audiência da Operação Zelotes

- Atualizado: 22 Janeiro 2016 | 11h 08

Sessão desta sexta foi suspensa porque um dos réus não foi intimado e será retomada na segunda-feira

Brasília - A audiência para ouvir testemunhas da Operação Zelotes sobre suposta "compra" de medidas provisórias no governo federal terminou em bate-boca entre a defesa e a acusação dos réus. Após a sessão ser suspensa, houve discussão entre o procurador José Alfredo de Paula, da força-tarefa que conduz a investigação, e o advogado Roberto Podval, defensor do lobista Mauro Marcondes Machado e da mulher dele, Cristina Mautoni.

No fim da audiência, logo após trocar algumas palavras com Mauro Marcondes, o procurador disse ao advogado: "Fui falar com o seu cliente, mas não o estava ameaçando".

A declaração fez referência a denúncia feita por Podval, publicada pelo Estado, de que um dos investigadores da Polícia Federal na Zelotes visitou o lobista na cadeia e o chantageou para que fizesse delação premiada. Caso contrário, conforme o defensor, seria feito pedido de transferência de Cristina Mautoni da prisão domiciliar para o regime fechado.

Dias depois da visita, houve o pedido de transferência e a Justiça o aceitou. A PF nega, no entanto, que tenha ocorrido pressão sobre o réu.

Na audiência, Podval reagiu ao procurador: "Achou que era brincadeira aquilo? Vai brincar? Eu não brinquei. Não sou palhaço, não". O procurador não respondeu mais.

As audiências para que os réus sejam ouvidos serão retomadas na segunda-feira, 25. A sessão desta sexta-feira foi suspensa porque um dos réus não foi intimado e não estava presente. A sessão durou pouco mais de 30 minutos.

Cristina Mautoni, que se recuperava de uma cirurgia nas pernas quando estava em prisão domiciliar, compareceu numa cadeira de rodas. O laudo que embasou sua transferência para o regime fechado, contudo, atestou que ela tem condições de saúde para estar numa unidade prisional.

Além de vários advogados e de 14 dos 15 réus, compareceu à sessão o ex-deputado João Paulo Cunha, do PT paulista, condenado no processo do mensalão. Ele disse que trabalha como consultor para a defesa do réu Francisco Mirto.

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