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Procurador da Zelotes diz haver 'novo inquérito' relacionado a compra de caças suecos

Frederico Paiva não deixou claro, porém, se esse novo processo se refere exclusivamente à compra de 36 jatos para a Aeronáutica, negócio anunciado em dezembro de 2013

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Fabio Fabrini, Andreza Matais e Beatriz Bulla,
O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2016 | 14h23

BRASÍLIA - O procurador da República Frederico Paiva, da força-tarefa responsável pela Operação Zelotes, disse nesta segunda-feira, 25, que há pelo menos um novo inquérito no qual é investigada a compra dos caças Gripen, da fabricante sueca Saab, pelo governo federal. "Isso faz parte do novo inquérito, que está em curso", afirmou Paiva, que participa das audiências em que testemunhas do caso estão sendo ouvidas pela Justiça, em Brasília.

O procurador falou em rápida entrevista, no intervalo dos depoimentos. Paiva não deixou claro se esse novo inquérito se refere exclusivamente à compra de 36 jatos para a Aeronáutica, negócio anunciado em dezembro de 2013 pela presidente Dilma Rousseff e que custará US$ 4,5 bilhões ao Brasil até 2023. A licitação foi lançada ainda na gestão Fernando Henrique Cardoso e conduzida também pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Paiva, apesar de a compra de caças estar sendo apurada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, Lula não consta como investigado na Operação Zelotes, que inicialmente desbaratou um esquema de sonegação fiscal por parte de empresas devedoras da Receita Federal. O procurador disse estranhar o fato de o ex-presidente ter sido intimado a depor pela PF no último dia 6 de janeiro. "Não entendi o motivo de o delegado ter ouvido Lula nesse caso", declarou, acrescentando que o policial deve ter suas razões. O petista falou na condição de "informante".

A Zelotes já denunciou 16 pessoas, entre lobistas e empresários, por suposto envolvimento na "compra" de medidas provisórias editadas no governo federal e aprovadas pelo Congresso. Investigações sobre outros fatos, contudo, continuam correndo.

Um dos fatos ainda sob investigação é se houve algum ilícito em pagamentos de R$ 2,5 milhões feitos pelo lobista Mauro Marcondes Machado, um dos presos na Zelotes, à empresa de um dos filhos do ex-presidente, Luís Cláudio Lula da Silva. Marcondes representava montadoras e também o grupo que controla a Saab.

Como revelou o Estadão.com.br na sexta-feira, 22, a PF suspeita que os pagamentos a Luís Cláudio tenham relação não só com a edição de medidas provisórias, mas também com o negócio dos caças suecos. No depoimento à PF, Lula disse considerar "absurda" a hipótese de que os pagamentos de Marcondes sejam "contraprestação por serviços prestados" por ele. O ex-presidente disse não ter conhecimento do contrato da empresa do filho com o lobista e que não houve "combinação" com empresários para edição de medidas provisórias.

Um arquivo apreendido na empresa do lobista citava uma "solicitação da empresa sueca para que o ex-presidente levasse seu apoio à contratação da Saab para a presidente Dilma". No depoimento do dia 6, a PF perguntou a Lula se os pagamentos ao filho foram alguma "contraprestação" por serviços prestados pelo petista à Saab para que viesse a vencer a concorrência dos caças. Lula negou veementemente e disse que a hipótese é um absurdo.

No sábado, 26, a revista Veja divulgou carta apreendida na Zelotes, na qual Mauro Marcondes pede uma reunião com Lula para tratar dos caças.

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