Processo contra Renan contamina paralisa Senado

Presidente da Casa se isola, investe na própria defesa e trabalho no plenário pára

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 15h55

A crise em torno do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), ultrapassou os limites físicos do Conselho de Ética, quebrou a rotina do Senado e ameaça paralisar os trabalhos da Casa. Acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior e sob suspeita de usar documentos falsos em sua defesa, Renan perdeu desenvoltura política para circular pelos corredores e salões do Senado e até para receber autoridades estrangeiras. Incomodado com o assédio da imprensa, ele mudou até o ritual de recepção a chefes de Estado de outros países. Foi assim na semana passada, quando recebeu a presidente da Letônia, Vaira Vike Freiberga, e na quarta-feira, com a visita do presidente da República Dominicana, Leonel Fernandez Reyna. Em vez de recepcioná-los com pompa no Salão Nobre do Congresso, como de praxe, optou por uma acolhida a portas fechadas, em seu próprio gabinete. Foi o retrato do isolamento em que ele se encontra, descreveu mais tarde um peemedebista que testemunhou parte da reunião com Vaira. Enquanto ela estava cercada pela comitiva de quase duas dezenas de pessoas, Renan se fez acompanhar apenas da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT). Enquanto o peemedebista lamentava a "recepção tímida" aos chefes estrangeiros, parlamentares como Jefferson Péres (PDT-AM) protestavam contra o uso da estrutura do Senado na defesa de seu presidente e alertavam para o risco de isso "contaminar" a instituição. A queixa era contra o deslocamento da secretária-geral da Mesa Diretora, Cláudia Lira, do advogado do Senado, Alberto Cascais, e do secretário de Controle Interno, Shalom Gramado, para assessorar a defesa de Renan no Conselho de Ética. "Todo processo de grande repercussão altera mesmo a rotina da Casa", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), ao admitir que a crise em torno do presidente também começa a dificultar o quórum em reuniões do plenário e das comissões técnicas. "Matérias importantes e prioritárias ficam em segundo plano e, se esse processo se prolongar, não vai ter jeito: a Casa vai viver exclusivamente em função desse processo." Ele sustenta, no entanto, que, ao menos nesta fase preliminar, não há necessidade de Renan se afastar da presidência. Casagrande avalia que qualquer processo de cassação, independentemente de quem for o processado, acaba paralisando os trabalhos. Tanto é assim que o processo nem começou e o andamento dos trabalhos foi prejudicado a tal ponto que os amigos mais próximos de Renan o aconselharam a dividir melhor suas preocupações e seu tempo entre a montagem da defesa e as atividades de plenário. Foi por isso que, depois de passar o dia em casa, reunido com advogados e correligionários mais experientes, como o senador José Sarney (PMDB-AP), ele desembarcou no Senado no meio da tarde e assumiu o comando da ordem do dia e das votações. Na véspera, só uma medida provisória que tratava da Timemania fora votada.

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