Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Aliados de Temer no Congresso dizem que prisão enfraquece eventual 2ª denúncia

Marun (PMDB-MS) avalia que prisão é consequência de 'grande farsa' e Pauderney (DEM-AM) diz que enfraquece uma segunda denúncia que Janot sai 'desgastado'

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2017 | 15h45

BRASÍLIA - O vice-líder do DEM na Câmara, o deputado Pauderney Avelino (AM), avaliou neste domingo, 10, que as a prisão do empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, e do executivo Ricardo Saud, enfraquecem uma eventual segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. Já Carlos Marun (MS), vice-líder do PMDB na Câmara, disse ver com "naturalidade" a prisão, que ela seria consequência de uma "grande farsa".

"O País inteiro se questionava por que tanto privilégio para criminosos. Agora, o acinte que foi o acordo foi desfeito e presos. Foi o correto. Mas não alivia para a imagem do Janot, que está ainda mais desgastada", afirmou Pauderney. "Não sei (se garante a rejeição de uma possível segunda denúncia). Mas, se vier, virá de um procurador desgastado", acrescentou.

Já Marun disse que "a prisão desses dois é natural, devido ao fato inclusive de serem réus confessos e essa confissão na verdade não pode mais ser anulada", afirmou o deputado ao Estadão/Broadcast. O deputado acrescentou ainda que a prisão é uma consequência já prevista "desta grande farsa na qual se constituiu esse processo de delação e colaboração premiada desse marginal".

 

Para o líder do PSD na Câmara, Marcos Montes (MG), nesse cenário, uma eventual segunda denúncia contra o presidente Michel Temer apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), com base na delação de Joesley, tem grandes chances de ser rejeitada.

"Fica claro que não só a classe política, mas também as instituições e o empresariado estão contaminados. Minha avaliação é baseada no que disse o ministro Celso de Melo (do Supremo Tribunal Federal) no início desta crise : 'o Brasil está entre o passado e o futuro'. Quem estiver contaminado vai pagar.", afirmou o parlamentar mineiro ao Estadão/Broadcast

O deputado do PMDB lembrou que, em 23 de maio, chegou a protocolar na Procuradoria Geral da República (PGR) um pedido de investigação da atuação do ex-procurador Marcelo Miller nesse caso da delação da JBS. "Infelizmente, pelo jeito, eu acompanhei o andamento desse processo e ele estava parado já há mais de três meses no gabinete do procurador Janot. Foi necessário que fosse entregue uma fita, um áudio, gravado por essa turma que começa a gravar todo mundo e acaba gravando eles mesmos, para que essa farsa se revelasse", disse, completando considerar estranho que o procurador-geral Rodrigo Janot não tenha visto nada de estranho no contexto.

"Eu vou buscar os motivos da não tomada do mesmo tipo de atitude em relação ao procurador Marcelo Miller. A princípio isso me causa estranheza, mas, a partir da semana que vem, nós vamos avançar nas investigações e nos questionamentos em relação a tudo isso", completou.

Para o vice-líder do PMDB, todo o episódio da delação da JBS "não é uma situação que possa ser simplesmente varrida para debaixo do tapete e tratada como resolvida a partir dessa prisão". "Essa prisão não resolve essa questão. Ela simplesmente é mais um capítulo na história dessa farsa e essa farsa tem que ser revelada", concluiu.

Já para o parlamentar amazonense, uma possível segunda acusação contra o presidente da República com base na delação de Joesley chegará à Casa enfraquecida, pois será apresentada por um procurador "desgastado". Janot foi o responsável por conduzir o acordo de delação premiada dos executivos do grupo J&F, que agora está sendo revisado.  

Segunda denúncia. O deputado Alexandre Baldy (Podemos-GO) avaliou que a prisão de Joesley e Saud ajuda na defesa jurídica do presidente Michel Temer, no caso de uma eventual segunda denúncia. Mas, destacou que a segunda denúncia ainda é desconhecida. "A prisão ajuda na defesa jurídica, mas a segunda denúncia ainda é desconhecida, se tornando um desafio mais político do que jurídico, já que a prisão de Joesley auxilia na tese de desconstruir o ataque jurídico", afirmou. 

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