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MILA CORDEIRO|AGÊNCIA A TARDE

ENTREVISTA: Wellington César Lima e Silva, novo ministro da Justiça

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Pretendo manter o chefe da PF, diz novo ministro da Justiça

Titular da pasta sinalizou que não vai fazer mudanças na Polícia Federal e que teve uma conversa boa com o diretor-geral da corporação, Leandro Daiello

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Adriano Ceolin

01 Março 2016 | 12h50

BRASÍLIA - Em entrevista exclusiva ao Estado, o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, disse que não vai trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello.

"Tive uma conversa muito boa com o diretor-geral da PF, com o Leandro (Daiello). E o sinal foi tranquilo, de permanência. As coisas continuam como estão (na PF)", afirmou.

Ele teve uma conversa rápida com a reportagem nesta manhã, no intervalo de uma série de reuniões que já tem mantido no Ministério da Justiça desde segunda.

ESTADO - Ao candidatar-se ao posto de procurador-geral de Justiça, o senhor ficou em terceiro lugar na lista tríplice. 

Wellington: Foram seis candidatos. Eu estava distante da atividade institucional e me inscrevi no último dia e consegui entrar no terceiro lugar. O governador Jaques Wagner conversou com todos os candidatos e eu acabei sendo o escolhido. Na recondução eu fiquei em primeiro lugar com a maior votação da história.  

ESTADO - O sr. também foi criticado por ter "cooperado" com o governo Wagner.

Wellington: No que diz respeito à atitude cooperativa não hostil, eu acho que os entes públicos, de modo geral, devem se relacionar pautados num elevado padrão de tratamento recíproco. Qualquer que seja o ente. Em qualquer lugar que eu esteja, orientarei minha conduta por elevados padrões de tratamento sem transigir em absolutamente um milímetro da minha obrigação institucional.

ESTADO - É que o momento é delicado, ministro. Especula-se que o senhor deve trazer para o comando da Polícia Federal, Maurício Barbosa, que é o atual secretário de Segurança Pública na Bahia.

Wellington: Não considerei nenhuma hipótese ainda. A minha ideia inicial é avaliar todos os quadros do ministério e fazer os ajustes.

ESTADO - Mas o senhor faria uma mudança na PF, não?

Wellington: Não! Pelo contrário. Ontem eu tive uma conversa muito boa com o diretor-geral da PF, com o Leandro (Daiello). E o sinal foi tranquilo, de permanência, de que as coisas continuam como estão.

ESTADO - O sr. pretende mantê-lo, então?

Eu pretendo mantê-lo. Disse a ele que palavra de ordem é trabalhar normalmente.

ESTADO - Como foi a conversa?

Wellington: Leandro se revelou um servidor da maior qualidade. Eu tive a melhor impressão sobre ele.

ESTADO - Como o sr. vem da Bahia, a sua uma indicação foi feita pelo ministro Jaques Wagner...

Wellington: Só para registrar. A minha indicação foi feita pelo ministro José Eduardo Cardozo até onde eu sei. Ele e o ministro Jaques Wagner me disseram que a indicação partiu do ministro Cardozo. Nós já nos conhecíamos há algum tempo. Participávamos de encontros do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais.

ESTADO - O sr. também já esteve com o procurador geral Rodrigo Janot. Tem boa relação com ele?

Wellington: Tenho uma relação institucional. Sem maior proximidade. Mas muito positiva.

ESTADO - Sua ligação com o ministro Jaques Wagner deixa a impressão que o Ministério da Justiça ficará subordinado à Casa Civil. Como responde a isso?

Wellington: Não existe isso. Não há a menor possibilidade. 

ESTADO - O sr. vai tentar marcar sua independência?

Wellington: Não é independência. Vou cumprir meu papel institucional onde quer que eu esteja. No Ministério Público ou no Ministério da Justiça, vou cumprir meu papel institucional.

ESTADO - A ordem da presidente Dilma é manter as investigações? O senhor chegou falar com ela sobre isso?

Wellington: A minha orientação pessoal e minha determinação é conduzir o Ministério da Justiça com absoluta fidelidade aos seus compromissos constitucionais.

ESTADO - O ministro Cardozo deixou o posto muito criticado por todos os partidos políticos, pelo PT, PMDB...

Wellington: A conjuntura e as condições do ministro José Eduardo Cardozo são particulares da sua história pessoal e estão vinculadas a essa dinâmica. A minha condição está presa à minha origem constitucional. Sou uma opção de natureza técnica. Não venho da atividade, do ambiente político. E pretendo dar uma modesta colaboração pautado sempre na observância da Constituição. Com respeito às decisões do Supremo Tribunal Federal e da Justiça do meu País.

ESTADO - A sua entrada no ministério da Justiça não significa uma mudança de rumos na pasta?

Wellington: Significa um novo personagem, mas pautado pelo mesmo quadro. E esse quadro é a Constituição e o desempenho das funções do ministro da Justiça. Agora eu preciso voltar para a minha reunião.

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