Sergio Dutti/AE
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Presidente não quer nome de Dilma associado à crise

Lula disse duvidar que ela tenha pedido para encerrar investigações sobre Fernando Sarney

Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

10 Agosto 2009 | 20h33

Preocupado com o desgaste político de sua candidata à sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu nesta segunda-feira, 10, em defesa da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. O temor do Planalto é que Dilma seja "colada" à crise que envolve o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O governo também não quer a ministra como personagem da CPI da Petrobras.

 

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Em Quito, capital do Equador, o presidente afirmou que considera uma fantasia a declaração da ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira de que teria recebido um pedido de Dilma, no final do ano passado, para "agilizar a fiscalização" envolvendo Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Lina afirmou que considerou a solicitação um recado para "encerrar" as investigações do Fisco sobre empresas geridas por Fernando Sarney.

 

"Eu não acredito. Duvido que a Dilma tenha conversado com a Lina sobre qualquer assunto como esse", afirmou Lula à imprensa, depois de ter participado da 3ª Reunião de Cúpula da União das Nações Sul-americanas (Unasul). "Quem construiu essa fantasia, essa história, em algum momento vai ter de dizer que foi um ledo engano. Pode escrever uma matéria assim embaixo: erramos", completou o presidente.

 

Lula disse que não havia conversado com a ministra nos últimos dois dias, mas insistiu que "não faz parte da personalidade" de Dilma agir dessa maneira. "Duvido que a Dilma tenha mandado recado ou conversado com qualquer pessoa a esse respeito. Não faz parte da formação política da Dilma."

 

Mas, confrontado com o fato de que o relato sobre o pedido de Dilma partiu da própria Lina, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Lula escapou. "Eu não sei se a Lina falou. Não leio o jornal de domingo. Na segunda-feira, eu ouço as informações", declarou.

 

OPOSIÇÃO

 

Para romper a blindagem palaciana que protege Dilma, a oposição tentará convocar a ex-secretária da Receita Federal para depor na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), caso os senadores que representam a base governista na CPI da Petrobras barrem os requerimentos de convocação de Lina Vieira, apresentados pelos senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA).

 

Na quinta-feira da semana passada, o relator da CPI, senador Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu que a comissão rejeitasse os requerimentos de convocação de Lina Vieira. A oposição negociou, e a votação dos pedidos de convocação foi adiada.

 

A oposição quer que Lina Vieira explique o que sabe sobre as razões de sua demissão e sobre a manobra contábil da Petrobras, assim como preste informações sobre a conversa que teria tido com Dilma.

 

Na CPI da Petrobras, a oposição ocupa apenas cinco das 15 cadeiras. Também na CCJ, a oposição é minoria, mas poderá contar, nessa comissão, com a ajuda de seu presidente, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), para aprovar a convocação de Lina Vieira. Nesta terça-feira, 11, a CPI da Petrobras tomará o depoimento do secretário interino da Receita, Otacílio Cartaxo, e a oposição deverá aproveitar a ocasião para pressionar pela convocação de Lina Vieira.

 

Colaborou Carol Pires

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