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UESLEI MARCELINO|Reuters

Presidente do PT no Rio diz não fazer questão de Dilma em festa da sigla

Washington Quaquá integra o grupo de petistas que não aceitam a política econômica do governo

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Luciana Nunes Leal,
O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2016 | 13h58

Rio - O presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, afirmou nesta quinta-feira, 25, que não faz questão da presença da presidente Dilma Rousseff na festa de 36 anos do partido, que serão comemorados neste sábado, 27, com show do sambista Diogo Nogueira e da bateria da Portela, na zona portuária do Rio. Quaquá integra o grupo de petistas que não aceitam a política econômica do governo.

A insatisfação foi agravada com a aprovação, na noite de quarta-feira, 24, do projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que desobriga a Petrobrás de ser operadora única e ter participação mínima de 30% na exploração da camada do pré-sal. Pouco antes da votação, o governo negociou com o relator do projeto, Romero Jucá (PMDB-RR) , que a Petrobrás tenha pelo menos o direito de preferência em futuras licitações. 

Questionado sobre a possibilidade de Dilma não ir à festa, por estar contrariada  com a reação do PT contra o ajuste fiscal, Quaquá respondeu: "Eu não faria questão da presença dela, mas falo em meu nome, não do partido". Quaquá defendeu que o PT deixe claras as divergências com as medidas defendidas pelo governo, como a reforma da Previdência. "Quem está contrariado com ela (Dilma) somos nós, por causa do pré-sal. O acordo com o PSDB ontem vai consolidando o movimento que está jogando fora a política econômica do (ex) presidente Lula. O governo está se distanciando muito no nosso projeto. O PT tem que pressionar de maneira mais dura", disse o dirigente petista, também prefeito de Maricá, no litoral fluminense. 

Nesta sexta-feira, 26, o Diretório Nacional do PT se reúne no Rio e deverá aprovar um documento com críticas à política econômica. No dia seguinte, a festa de aniversário acontecerá no espaço batizado Armazém da Utopia, onde serão esperadas 3 mil pessoas. O PT não informou os gastos com a festa. A assessoria de Diogo Nogueira também não informou o cachê do artista. Disse que é um contrato profissional "como qualquer outro" e que o sambista não tem vínculo com o partido.

No carnaval do ano passado, a prefeitura do Rio pagou R$ 95 mil pela apresentação de Diogo e sua banda no Terreirão do Samba. No réveillon de 2013, quando os artistas cobram cachês bem mais altos, o show de Diogo na Praia de Copacabana custou à prefeitura R$ 250 mil. 

A bateria da Portela foi contratada pelo PT por R$ 7 mil, segundo a assessoria da escola de samba. A apresentação terá 12 ritmistas, um mestre de bateria, um cantor, quatro passistas, casal de mestre-sala e porta-bandeira e um diretor responsável pela organização.

Na reunião do Diretório Nacional e na festa petista, haverá desagravo ao presidente Lula, investigado por força-tarefa da Operação Lava Jato, por suspeita de ser proprietário oculto do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), onde empreiteiras com contratos com a União fizeram obras de benfeitorias. 

O presidente do PT-RJ reclamou do fato de a Polícia Federal não ter até agora aberto inquérito para investigar suspeita de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, tenha recorrido a uma empresa privada para mandar dinheiro para o exterior à jornalista Mirian Dutra, com quem manteve um relacionamento nos anos 1990.  Mirian disse ao jornal Folha de S. Paulo que Fernando Henrique usou a empresa Brasif S.A. para enviar recursos a ela. O ex-presidente tucano negou ter qualquer relação com contrato de prestação de serviço assinado entre a jornalista e a empresa. 

"A Polícia Federal não investiga o Fernando Henrique, só o barquinho do Lula", reclamou Quaquá. O presidente do PT-RJ refere-se à notícia de que, em 2013, a mulher de Lula, Marisa Letícia, comprou um barco de alumínio e mandou entregar no sítio. Lula nega ser dono oculto da propriedade, que está em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna. "Vamos prestigiar o Lula. É preconceito achar que pobre não pode ascender socialmente. Para nossos adversários, os petistas não podem pegar o elevador social", afirmou Quaquá.

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