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Presidente do PT diz que não aceita 'ultimatos' de líder do PMDB

Vera Rosa - O Estado de S. Paulo

06 Março 2014 | 12h 52

Num momento de divergências entre petistas e integrantes do principal partido aliado, Rui Falcão responde a ataques de Eduardo Cunha, que defendeu fim da parceria com governo Dilma

BRASÍLIA - O presidente do PT, Rui Falcão, afirmou nesta quinta-feira, 6, que não vai aceitar "ultimatos" do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Um dia após participar da reunião com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual discutiram o agravamento da tensão com o PMDB, Falcão disse que o partido do vice-presidente, Michel Temer, não pode se comportar como adversário de Dilma.

"Tenho divergência política com Eduardo Cunha porque o líder do PMDB, nosso principal aliado, não pode estar no governo e fazer oposição ao mesmo tempo. É preciso se definir", afirmou Falcão ao Estado. "Não aceito que Cunha faça ultimatos a nós. O que vai prosperar mesmo, na nossa expectativa, é a posição do setor do PMDB que defende a aliança com Dilma."

Na terça-feira, Cunha pregou o rompimento da parceria do PMDB com Dilma para a eleição de outubro e disse, em seu perfil no Twitter, que Falcão é "doido" por "boquinhas" no governo. "A cada dia que passa me convenço mais que temos de repensar esta aliança, porque não somos respeitados pelo PT", escreveu o deputado, elevando o tom dos ataques na direção do PT e do Planalto.

Falcão afirmou estar "otimista" em relação à manutenção da dobradinha com o PMDB, apesar do que chamou de clima de "Tensão Pré-Eleitoral" (TPE). "Eu não tenho cargo no governo, não indico ninguém. Agora, nesse período de reforma ministerial, os partidos procuram manter seus postos e ampliar os espaços. Isso cria a TPE", avaliou o presidente do PT. "Mas o PMDB tem o vice-presidente da República e acredito que vá prevalecer a posição que deseja dar continuidade a esse projeto."

Reforma Empacada. O PMDB pretendia ampliar o espaço no governo na reforma ministerial, mas a tendência é que continue com cinco pastas (Minas e Energia, Previdência, Turismo, Agricultura e Aviação Civil). O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) irá para o Ministério do Turismo, na vaga ocupada por Gastão Vieira, que é uma indicação da bancada do PMDB na Câmara.

"Rui Falcão pode ficar com todos os cargos. Para nós é indiferente. O PT controla 17 ministérios e o PMDB, que administra cinco, parece estar implorando por cargos. Eu acho que deveríamos entregar tudo", provocou Cunha.

Na reunião da noite dessa quarta, 5, no Palácio da Alvorada, Falcão informou a Dilma e Lula que responderia às críticas do aliado. Embora tenha enviado emissários para jogar água na fervura do PMDB, o governo não acredita na ruptura da dobradinha com o partido de Temer, que deverá ser novamente candidato a vice na chapa de Dilma. A avaliação foi feita no encontro do Alvorada, que também contou com a presença do marqueteiro João Santana; do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, do chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo, e do tesoureiro da campanha, Edinho Silva.

O Instituto Lula fez questão de divulgar a foto da reunião para desfazer boatos de que Dilma e o ex-presidente estão estremecidos. Na foto, Dilma e Lula aparecem sorridentes e ela levanta a mão do padrinho político, num gesto de sintonia.

Mercadante conversará nesta quinta com o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), na tentativa de acalmar os ânimos. Para Raupp, a situação está ficando "insustentável" e a crise no relacionamento com o governo, iniciada na Câmara - com a criação de um bloco de oito partidos para criar dificuldades em votações de interesse do Planalto - pode chegar ao Senado.

Questionado sobre a declaração de Cunha, que o responsabilizou pelo impasse nas parcerias regionais com o PT, Falcão fez um balanço sobre a montagem dos palanques e apontou o dedo para o aliado.

"Basta ver em quantos Estados o PT vai apoiar o PMDB e em quantos o PMDB apoia o PT", reagiu ele. Pelos seus cálculos, a tendência é o PT avalizar candidatos do PMDB em Sergipe, Alagoas, Pará e no Amazonas. Até agora, o PMDB só fechou mesmo acordo com os petistas no Distrito Federal, mas pode apoiar o candidato do PT ao governo de Minas Gerais, Fernando Pimentel.