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Presidente do PT diz que agora 'a farsa caiu'

Atualizado em 28.02 - João Domingos e Débora Álvares

27 Fevereiro 2014 | 20h 29

Petistas celebram e PSDB afirma 'respeitar resultado'; já DEM e PPS criticam Supremo

BRASÍLIA - O PT comemorou ontem a derrubada, pelo Supremo Tribunal Federal, da tese de que uma quadrilha comandou o esquema do mensalão. Para integrantes da legenda, a decisão vai ajudar a construir uma nova narrativa do escândalo. Na oposição, o PSDB, fustigado pelo mensalão mineiro, optou por respeitar a decisão, enquanto DEM e PPS fizeram críticas à Corte.

"Caiu a farsa", comemorou o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Segundo ele, agora é preciso estender a decisão ao embargo infringente do ex-deputado federal João Paulo Cunha.

Na avaliação do líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), "mesmo tardiamente", o STF fez Justiça. "Dizer que Genoino é quadrilheiro é um desrespeito. Ele sempre foi pobre. O Genoino mora na mesma casa de sempre", disse.

Vicentinho afirmou ainda que agora ficou mais fácil para o partido rebater a alcunha de "quadrilheiro", usada por adversários após a denúncia, apresentada em 2006, da Procuradoria-Geral da República. "O PT já dizia, antes da decisão, que não havia quadrilheiro no partido."

No Senado, o líder da sigla na Casa, Wellington Dias (PI), disse que os presos pelo processo do mensalão foram taxados de "quadrilheiros" de forma precipitada. "Isso fica de reflexão não só para eles, políticos e empresários, mas para todo cidadão, que tem direito de ter uma condenação apenas após o trânsito em julgado de um processo", afirmou o petista.

Vice-presidente da Câmara, o deputado André Vargas (PT-PR) disse que a Justiça está saindo dos holofotes, lugar onde nunca deveria ter estado.

"Estamos voltando a um Supremo equilibrado, sóbrio e técnico. Sempre disse que os juízes devem falar nos autos, não para os holofotes", afirmou Vargas.

‘Pedagógico’. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que não cabe entrar no mérito sobre a mudança de posicionamento da Corte. "O fato concreto é que a mais alta Corte do Brasil condenou, pela primeira vez, por crimes extremamente graves, um grupo de importantes agentes públicos", avaliou o pré-candidato tucano à Presidência da República. Aécio disse esperar que a condenação dos envolvidos com o mensalão possa ser um precedente "pedagógico".

A mesma análise foi feita pelo líder tucano no Senado, Aloysio Nunes (SP), para quem o recuo do STF não diminui a grandeza do julgamento. "O importante é que se dá um sinal claro do fim da impunidade. Pela primeira vez, pessoas nesse nível de poder foram levadas perante a Justiça, acusadas de terem cometido um crime, e condenadas", considerou o senador.

As lideranças do DEM, contudo, viram a decisão do Supremo com menos otimismo. "A população brasileira fica frustrada porque queria que a Justiça fosse feita. O veredicto anterior consultava o interesse do povo do Brasil, mas a nova composição frustrou essa expectativa e dá um passo para trás", disse o presidente da sigla, senador José Agripino (RN).

Sensação. Posição semelhante tem o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho. "A sensação plena de impunidade não existe", ponderou o deputado, citando o caso de políticos já presos por participação no esquema. "Lógico que o desfecho final e esperado pela população era o da condenação inclusive pela formação de quadrilha."

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), foi crítico com relação à atuação no julgamento dos novos ministros Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, indicados para os cargos pela presidente Dilma Rousseff, e que votaram pela absolvição.

"Acredito que Teori e Barroso, se tivessem honestidade intelectual, deveriam ter se julgado impedidos, já que não participaram da primeira etapa do julgamento. Acabaram não só participando, mas votando em benefício dos condenados. Somos obrigados a acatar a decisão, mas fica a desconfiança sobre a independência dessa nova composição do STF", avaliou. / COLABOROU DAIENE CARDOSO

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