Presidente do PSB gaúcho quer partido fora da base de Temer

Beto Albuquerque vai defender na reunião da Executiva Nacional, nesta quarta-feira, 14, que a legenda devolva todos os cargos no governo e assuma uma postura independente

Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2016 | 20h50

Brasília - O presidente do diretório do PSB no Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque, está articulando a saída do partido da base aliada do presidente Michel Temer. Albuquerque vai defender na reunião da Executiva Nacional, nesta quarta-feira, 14, que a legenda devolva todos os cargos no governo e assuma uma postura independente. "Estamos em um governo que não nos representa por causa de um ministro e meia dúzia de cargos", declarou. O deputado federal Fernando Filho (PSB-PE) é o atual ministro de Minas e Energia de Temer.

"Não temos razão para estar dentro do governo, que é atrapalhado, inerte e enrolado", criticou Albuquerque. Para ele, a presença do partido na gestão Temer em meio aos escândalos de corrupção e à aprovação de medidas polêmicas como a reforma da previdência pode prejudicar a imagem do PSB na próxima eleição. "Acho que o partido deveria ficar independente, até porque não precisa ter ministro e cargos para ajudar o Brasil. Inclusive para pensar no seu projeto de 2018 e não ficar amarrado nessa 'Kombi' velha e cheia de problema."

Segundo Albuquerque, o movimento já tem "eco" no partido e há consenso na bancada gaúcha sobre o assunto. "Queremos ficar fora do governo. Vou propor que o PSB deixe de ter ministérios ou cargos no governo. É um governo que está longe de representar o que pensamos. Há muita coisa parecida com o que aconteceu na gestão de Dilma Rousseff, envolvimento em irregularidades, descompromisso com o combate ao juros, uma política atrasada. É um governo inerte sobre juros, que só fica se lamentando", afirmou.

Para o ex-deputado, a decisão de nomear Fernando Filho foi tomada por uma minoria do partido na Câmara, mas desde o início da gestão Temer havia outra parcela da legenda que defendia a "independência". "Não podemos esperar as coisas ruins acontecerem para tomar uma atitude. Nossos movimentos organizados estão muito mobilizados por essa pauta (da saída do governo). A participação no governo foi uma decisão de parte da bancada que precisa ser revista", disse, destacando que vai pressionar os correligionários.

Durante a reunião da Executiva Nacional, daqui a dois dias, os presidentes dos diretórios estaduais do PSB devem debater um eventual desembarque da base aliada de Temer devido à crise política agravada pela primeira delação da Odebrecht Operação Lava Jato. A saída do PSB da base aliada representaria a perda de apoio de 33 parlamentares na Câmara e seis no Senado. Nos bastidores, os presidentes dos diretórios de Pernambuco e de Minas Gerais são apontados como simpatizantes da proposta.

O principal empecilho para o desembarque seria o diretório paulista, liderado pelo presidente da legenda, Carlos Siqueira. O dirigente considera que, como a sigla apoiou o impeachment de Dilma Rousseff, tem responsabilidade com o governo que sucedeu a petista. O dirigente diz que o partido não quer desestabilizar o governo e que a saída agora seria uma "irresponsabilidade". "O momento exige cautela e responsabilidade", declarou. No entanto, Siqueira destaca que o apoio não é irrestrito. (Julia Lindner)

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