Presidente do PP tenta acordo para acabar com disputa para líder da sigla na Câmara

Escolha da liderança do partido na Casa coloca mais uma vez Planalto e Cunha em oposição; novo nome será responsável por indicar integrantes para as quatro vagas na comissão do impeachment a que a sigla tem direito

Igor Gadelha e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2016 | 21h05

BRASÍLIA - O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), entrou em campo para tentar solucionar o impasse na disputa pela liderança do partido na Câmara. O dirigente tenta negociar um acordo com os grupos de Aguinaldo Ribeiro (PB) e Cacá Leão (BA), para que um fique com o posto de líder da sigla na Casa, enquanto o que abriria mão da disputa ficaria com o Ministério da Integração, na vaga que será aberta com a futura saída Gilberto Occhi, que está doente.

A disputa pela liderança do PP ganhou relevância política, pois, embora em menor proporção quando comparado à eleição para líder do PMDB, tem oposto mais uma vez o Planalto, que tem Cacá como candidato preferido, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cujos aliados apoiam Aguinaldo. O novo líder será o responsável por indicar os integrantes para as quatro vagas na comissão especial do impeachment na Casa a que o partido tem direito.

Ciro Nogueira tem oferecido ao grupo que desistir da disputa pela liderança a "promessa" de que um deputado indicado por eles assumirá o Ministério da Integração. A indicação, contudo, não será imediata. O partido decidiu que vai respeitar o período da licença de Gilberto Occhi para fazer o tratamento contra um câncer de próstata, só indicando o substituto depois. O objetivo é evitar constrangimento com o correligionário, que passa por um problema de saúde.

O presidente do PP vem conversando com os dois grupos desde a última sexta-feira. Os dois grupos têm insistido que preferem ficar com a liderança do que com a promessa do ministério. Alguns apoiadores das duas campanhas apostam que a indicação para a Pasta pode acabar não se concretizando e, assim, o grupo sairia prejudicado. Ciro deve reunir os dois grupos nesta terça-feira, para tentar fechar acordo antes da nova votação, prevista para esta quarta-feira, 24.

Ciro Nogueira confirmou ao Broadcast Político que está tentando negociar um acordo para acabar com o impasse. Apesar de deputados de ambos os grupos confirmarem a proposta do ministério, o senador negou que a Pasta esteja entrando na negociação. Segundo o dirigente partidário, o que vem sendo oferecido na busca por acordo é apenas espaço dentro da Câmara, como a presidência de comissões permanentes a que o partido terá direito.

Impasse O presidente do PP começou a se envolver diretamente na disputa, após a eleição para líder terminar em racha e bate-boca na semana passada. No início da disputa, havia três candidatos: Cacá Leão, apoiado pelo atual líder, Eduardo da Fonte (PE) e preferido pelo Planalto; Esperidião Amin (SC), candidato da oposição, e Aguinaldo Ribeiro, apoiado por aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como o deputado Arthur Lira (AL).

Na primeira votação, nenhum dos três candidatos conquistou a maioria de 21 votos necessária, e a disputa foi para o segundo turno. Empatado em 11 votos com Aguinaldo, Amin foi o escolhido para disputar a segunda etapa contra Leão (17 votos), por ser o deputado mais velho. Minutos antes da votação, contudo, o catarinense abriu mão da candidatura, em prol de Aguinaldo. Eduardo da Fonte, porém, não concordou com a decisão e decidiu prosseguir com a disputa entre Amin e Cacá.

Mais uma vez o segundo turno terminou sem que nenhum dos dois candidatos conquistasse a maioria necessária. Com o impasse, uma nova eleição foi marcada para esta quarta-feira, 24 de fevereiro, às 14 horas. Caso o acordo que Ciro Nogueira tenta costurar não tenha progresso, qualquer deputado do PP poderá registrar candidatura até 12 horas do dia da votação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.