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Presidente do PMDB defende fim do 'blocão' da Câmara

Erich Decat, Bernardo Caram e Rafael Moura

13 Março 2014 | 13h 38

Para Valdir Raupp, ação da ala rebelde da base aliada 'não é compreensível'

Brasília - O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), defendeu nesta quinta-feira, 13, o fim do blocão na Câmara capitaneado pelo líder do partido na Casa, Eduardo Cunha (RJ), e que tem sido responsável por imprimir nos últimos dois dias uma série de derrotas ao governo.

"O PMDB é um partido da base e não é compreensível, até para opinião pública do País, ver um partido que tem a vice-presidência da República, a presidência do Senado e da Câmara e possa estar na oposição. Isso é uma incoerência", afirmou Raupp após participar de evento no Palácio do Planalto em que a presidente Dilma anunciou novos investimentos do PAC Mobilidade em seis Estados e no DF.

Questionado se o discurso era um recado direto da cúpula para a extinção do blocão, Raupp respondeu: "Esse pedido estamos fazendo há muito tempo, para que o PMDB volte à base. É um pedido que fazemos todos os dias para que a gente possa refletir e possa voltar a conversar".

Nessa quarta, 12, no segundo dia de rebelião na base aliada, comissões da Câmara aprovaram pedidos de esclarecimento de dez ministros, de um representante do Ministério de Minas e Energia e da presidente da Petrobrás, Graça Foster.

Numa tentativa do governo de apaziguar os ânimos, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, foi escalado para entrar em campo e se reunir com Eduardo Cunha. O encontro, segundo Raupp, pode acontecer ainda nesta quinta.

Conforme antecipou o Broadcast Político nessa quarta, 12, o PROS foi o terceiro partido que integrava o blocão, composto por partidos insatisfeitos com o Palácio do Planalto, a anunciar que se desvincularia do grupo. Antes do PROS, o PDT e o PP já haviam vindo a público para dizer que não se uniriam à oposição para derrotar o governo nas votações do Congresso. "Confundiram o propósito do blocão. Não era para ter um enfrentamento, mas discutir a relação", disse o líder do PP, Eduardo da Fonte (PE), que também estava presente no evento de hoje no Palácio.

A possibilidade de um esvaziamento dos demais integrantes do blocão, que atualmente conta com apenas quatro partidos da base e um de oposição, passou também a estar no radar da cúpula do PMDB. "Já até falei para o nosso líder [Eduardo Cunha], com todo respeito, que acho que esse blocão não se sustenta. Aos poucos todos os partidos vão saindo. Vai acabar ficando só a bancada do PMDB", afirmou Raupp.

A debandada dos partidos do blocão e o posicionamento público de Raupp contra o grupo ocorrem numa semana em que os partidos devem ser contemplados na reforma ministerial. A previsão é que nesta sexta-feira, Dilma já dê posse a alguns novos ministros.