Presidente da CNBB se diz ´perplexo´ com corrupção

D.Geraldo comenta caso Renan e diz que destino do senador cabe ao Parlamento

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 15h54

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lyrio Rocha, disse que a entidade acompanha com "perplexidade" e "apreensão" os últimos escândalos de corrupção que recentemente vieram à tona no País, envolvendo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. "Nós os bispos acompanhamos com perplexidade e até apreensão esse momento que o País está vivendo", disse d. Geraldo Lyrio, ao assumir a arquidiocese de Mariana, em Minas Gerais, no final da noite da última quinta-feira. Questionado sobre a situação envolvendo o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que sofre processo no Conselho de Ética - suspeito de ter contas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior -, o presidente da CNBB sugeriu que só cabe ao Parlamento decidir sobre o destino do presidente do Senado. "Aí é uma questão que diz respeito às próprias instituições, que devem ter sua maneira de se autodefender e de se afirmar e de se preservar. Esse é um assunto que compete, no caso, ao Congresso Nacional, ou ao Senado". As declarações do religioso foram na mesma linha de uma nota divulgada pelo Conselho Permanente da CNBB ontem. O comunicado afirma que "a corrupção e a impunidade estão levando o povo ao descrédito na ação política e nas instituições, enfraquecendo a democracia". Diz ainda que a "crise, decorrente da falta de consciência moral, é estimulada pela ganância e marcada pelos corporativismos históricos, que utilizam as estruturas de poder para benefício próprio e de grupos". D. Geraldo Lyrio, porém, considerou "benéfico" para as instituições as denúncias e disse que espera que os fatos sejam apurados, garantindo o direito de defesa dos acusados. "E se, subtraíram algo que é patrimônio do próprio povo brasileiro isso possa ser restituído. O que não podemos é compactuar nem com a corrupção, nem com a impunidade". Aborto Dom Geraldo Lyrio Rocha, reiterou a postura veemente da Igreja Católica contra qualquer proposta de legalização do aborto no País. O debate tem o incentivo do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. D. Geraldo Lyrio disse no final da noite de ontem que a Igreja "não pode, de forma alguma, vacilar". "Tem de ser intransigente na defesa da vida. Na vida em todos os seus estágios, desde o seu primeiro momento, na concepção, até a sua conclusão natural. Ao mesmo tempo em que a Igreja tem que se empenhar para que haja condições reais, concretas, para que a vida possa se desabrochar também em todas as suas dimensões", afirmou, após ser recebido com festa na nova arquidiocese, que congrega 132 paróquias de 79 municípios, reunindo mais de 1,2 milhão de católicos. O presidente da CNBB elegeu como seu maior desafio à frente da Conferência a implementação no Brasil das orientações e diretrizes pastorais contidas nas conclusões da 5ª Conferência-Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada em maio, em Aparecida (SP). Partido Embora tenha dito que a Igreja "quer ter o seu espaço garantido para expor a todos os seus pontos de vista", D. Geraldo Lyrio sinalizou que a CNBB em sua gestão deve ser menos crítica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o primeiro mandato de Lula, a Conferência se notabilizou por contestações à política econômica e ao programa Bolsa Família, por exemplo. "A Igreja não é um partido político", destacou. "A posição da Igreja não é como quem ficasse fiscalizando o governo e nem é, muito menos, de se colocar como se fosse oposição ao governo".

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