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Presidente argentino desmarca audiência com tucanos

- Atualizado: 13 Fevereiro 2016 | 08h 22

Mauricio Macri receberia no início do mês Aécio Neves, Ricardo Ferraço e Aloysio Nunes, que negam mal-entendido

Brasília - O presidente da Argentina, Mauricio Macri, desmarcou a audiência que teria com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no começo deste mês. No momento em que ainda estreita relações com a presidente Dilma Rousseff, ele preferiu não receber a principal liderança oposicionista brasileira na Casa Rosada, no país vizinho.

Além de Aécio, estiveram de viagem marcada para Buenos Aires os senadores Ricardo Ferraço (ES) e Aloysio Nunes (SP). Os dois são do PSDB e fazem parte da Comissão de Relações Exteriores do Senado. Ferraço comandou a comissão até março de 2015 e Aloysio é seu sucessor desde então.

Segundo Aécio Neves, encontro deve ocorrer em março

Segundo Aécio Neves, encontro deve ocorrer em março

A audiência foi solicitada por Ferraço após a vitória de Macri nas eleições presidenciais argentinas encerradas em novembro passado. A data do encontro estava marcada para o dia 2 de fevereiro. Os senadores chegaram a acertar detalhes da viagem, como passagens e hospedagens.

No dia previsto, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), telefonou para Ferraço pensando que o senador já estivesse em Buenos Aires. O parlamentar negou qualquer mal-entendido. "Não chegou a ficar confirmado. Nós tínhamos um apontamento, uma perspectiva de que seria dia 2", argumentou Ferraço.

O senador do Espírito Santo disse ainda que a reunião com Macri "irá acontecer a qualquer momento". "Está no nosso radar", completou. Ferraço declarou que a agenda do encontro abordaria "uma pauta que nos últimos anos não foi considerada pelo governo do PT e tampouco por seus aliados da América do Sul".

"A vitória do Macri é um fato novo em torno de um vento bolivariano em toda a América do Sul, presente no Bolívia, na Venezuela e na Argentina. A casa começou a cair pela Argentina", declarou. "Queremos discutir todas as questões relacionadas a política regional, direitos humanos, liberdade de expressão", acrescentou.

Março

Por meio de sua assessoria de imprensa, o senador Aécio Neves - que é também presidente nacional do PSDB - informou que o encontro com Macri deve acontecer no próximo mês. Como Ferraço, ele negou que a audiência com Macri estivesse marcada. Aloysio Nunes afirmou que "houve um problema de agenda" e que o encontro ocorrerá em outra data.

No Palácio do Planalto, assessores da presidente Dilma Rousseff interpretaram como favorável ao governo a decisão de Macri. "Não seria o fim do mundo (a audiência com os tucanos). Mas, de qualquer forma, é um gesto em favor do governo brasileiro", disse um auxiliar direto da presidente.

Dilma e Macri já se encontraram reservadamente duas vezes. Antes mesmo de tomar posse, o argentino fez questão de viajar a Brasília. Ao deslocar-se para o aeroporto, foi levado pessoalmente pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Venezuela

Em junho do ano passado, os senadores mineiro e capixaba integraram uma comitiva de parlamentares brasileiros a Caracas para pressionar o então presidente Nicolás Maduro a libertar presos políticos.

O grupo não conseguiu, no entanto, cumprir a agenda de visita a Leopoldo López, preso por atuar como líder oposicionista. O veículo que os conduzia até o presídio ficou parado em um engarrafamento.

O ônibus com parlamentares brasileiros foi alvo ainda de manifestantes, que aproveitaram o congestionamento para protestar contra a vinda dos brasileiros com gritos como "(Hugo, ex-presidente) Chávez não morreu se multiplicou" e " Fora, fora". As hostilidades começaram logo depois de os senadores deixarem a base aérea venezuelana. Eles alegaram ser alvo de uma "armação", segundo Ferraço.

A visita ao país vizinho tinha o propósito de reforçar o discurso de Aécio, candidato derrotado nas eleições de 2014, de que, a despeito da influência geopolítica do Brasil na América Latina, o governo Dilma estaria sendo "omisso" em relação ao que os tucanos classificam como "escalada autoritária" na região. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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