Reprodução/Twitter
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Depois de 3 horas, manifestantes pró-Lula desocupam triplex no Guarujá

Apoiadores do MTST e da Frente Povo Sem Medo argumentam que, se o imóvel de fato pertence a ele, todos tem direito de permanecer no local; pré-candidato do PSOL, Guilherme Boulos, também participou do ato

Ana Neira e Rafael Cicconi, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2018 | 09h33

O grupo de manifestantes que ocupou o triplex no Guarujá atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, deixou pacificamente o prédio por volta de 11h30 desta segunda-feira, 16. Integrantes da Frente Povo Sem Medo e do MTST deixaram o local, depois de 3 horas, após conversar com a Polícia Militar.

Além da ocupação, havia ainda um grupo de 70 apoiadores em frente ao triplex, com faixas dizendo "Se é do Lula, é nosso", "Se não é, por que prendeu?" e "Povo sem Medo".“É uma denúncia da farsa judicial que levou Lula a prisão. Se o triplex é dele, então o povo está autorizado a ficar lá. Se não é, precisam explicar porque ele está preso”, disse o pré-candidato à Presidência do PSOL, Guilherme Boulos, que também participou do ato, nas redes sociais. A também pré-candidata Manuela D'Ávila (PCdoB) manifestou-se a favor do ato em sua conta no Twitter, assim como o senador Lindbergh Farias (PT).

Representantes das polícias Civil, Militar, além de advogados dos manifestantes fizeram uma vistoria prévia no condomínio e apartamento para verificar se há indícios de depredação ou arrombamentos. Agora, aguardam perícia da Polícia Federal, que está a caminho.

De acordo com o coronel do 21° Batalhão de Polícia Militar do Interior, Luiz Fernando Stefani, não houve negociação, mas um acordo para a saída dos manifestantes até as 11h45. “Eles disseram que a ocupação era simbólica e resolveram sair pacificamente. Agora, a ocorrência será encaminhada para a Polícia Federal, que dará prosseguimento com o caso”, disse.

Um dos advogados do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Ramon Koelle, afirma que não houve arrombamento do portão e nem da porta do apartamento e que tudo se deu pacificamente e sem danos ao condômino. “Fizemos um acordo para ninguém se machucar. Tínhamos senhoras e senhores de idade lá dentro e não queríamos confronto. Nossa mensagem era de que se o apartamento é do Lula, entramos lá como convidados, pois somos amigos”, declarou.

Acusando o atual presidente Michel Temer de "ladrão" e o juiz federal Sérgio Moro, que condenou o ex-presidente, de fazer um julgamento "tendencioso", os manifestantes entraram no prédio por volta das 8h30 da manhã, quando abriram um portão que, segundo eles, já estava quebrado, apenas empurrando-o. 

 

 

De acordo com a advogada do MTST Débora Camilo, a ocupação era uma forma de manifestação à prisão do ex-presidente. “Queremos abrir os olhos da população para a prisão ilegal de Lula, que foi feita para tirá-lo da disputa presidencial. Não quebramos nada, estamos fazendo um ato pacífico. Queremos sair do triplex ainda hoje”, destacou. 

 

 

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Na sentença que condenou o ex-presidente Luiz Inácio da Silva no caso do triplex, Moro atribui o imóvel a Lula e diz: “Não se está, enfim, discutindo questões de Direito Civil, ou seja, a titularidade formal do imóvel, mas questão criminal, a caracterização ou não de crimes de corrupção e lavagem. Não se deve nunca esquecer que é de corrupção e lavagem de dinheiro do que se trata”.

Em janeiro, ao discursar em São Paulo após ter sua pena aumentada para 12 anos e um mês de prisão, Lula classificou a decisão judicial como uma “mentira” e negou mais uma vez ser dono do triplex no Guarujá.  “Se eles me condenaram me deem pelo menos o apartamento”, disse Lula, na ocasião. “Eu até já pedi para o Guilherme Boulos mandar o pessoal dele ocupar aquele apartamento. Já que é meu, ocupem.

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