Povo rechaçou medidas de retaliação contra juízes e investigadores, diz Ajufe

Para Roberto Veloso, presidente de entidade que representa magistrados, apoio dos manifestantes comprova equívoco em aprovação de medidas de punição por crime de abuso de autoridade

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2016 | 18h49

BRASÍLIA - As manifestações deste domingo, 4, demonstraram que a população deseja o fim da corrupção no País e rechaça medidas legislativas que sejam uma forma de retaliação a juízes e investigadores, avalia o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso.

"O apoio demonstrado à magistratura e ao Ministério Público é a prova cabal do equívoco cometido pela Câmara do Deputados em aprovar medidas de retaliação aos encarregados de apurar e julgar os casos envolvendo corruptos. Emendas do tipo crimes de responsabilidade e crimes por ofensa às prerrogativas de advogados foram rechaçadas pelo povo brasileiro nos protestos", declarou o presidente da instituição.

 

As manifestações deste domingo têm como foco o apoio à operação Lava Jato e às medidas de combate à corrupção encampadas pelo Ministério Público Federal. Na madrugada da última quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o pacote de medidas contra a corrupção com uma série de modificações, o que gerou ampla reação de investigadores e juízes. Os deputados incluíram, por exemplo, o crime de abuso de autoridade para juízes e promotores, o que é visto como uma retaliação da classe política aos investigadores. 

"A sociedade exige que a corrupção seja abolida de nosso País, e para isso é necessário que sejam criados instrumentos modernos de enfrentamento e não que os magistrados e procuradores sejam intimidados com ameaça de prisão", afirmou o presidente da Ajufe, ainda sobre as manifestações deste domingo.

O texto aprovado na Câmara ainda precisa ser analisado pelo Senado. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi um dos maiores alvos dos protestos deste domingo. Na última quarta-feira, o peemedebista tentou colocar em votação o projeto, menos de 24 horas depois da aprovação do texto na Câmara. 

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