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Mensalao

Por ‘risco de fuga’, Pizzolato continua em prisão italiana

Jamil Chade - Enviado especial

07 Fevereiro 2014 | 22h 29

Ex-diretor do BB teve negado pelo Tribunal de Bolonha o pedido para acompanhar em liberdade processo de extradição ao Brasil

Bolonha - Ao fugir do Brasil, onde foi condenado a 12 anos 7 meses no processo do mensalão, o petista Henrique Pizzolato afirmava que teria um tratamento mais justo da Justiça italiana. No primeiro teste de sua frase, nesta sexta-feira, 7, o Tribunal de Bolonha o puniu por sua fraude de documentos e falsidade ideológica e negou seu pedido para acompanhar seu processo de extradição em liberdade.

A sentença do tribunal, vista pelo Estado, deixa claro que, por estar próximo a uma fronteira e pelos antecedentes, Pizzolato não poderia ser deixado em liberdade. Numa audiência de duas horas, usando algemas e vestindo calça jeans e camisa, ele ouviu os italianos considerarem que existe "risco de fuga" – razão pela qual decidiram mantê-lo na prisão de Modena por tempo indeterminado. Em outra decisão, deram 40 dias para que o Brasil formalize o pedido de extradição.

A defesa de Pizzolato qualificou a decisão de "dura" e diz não ter agora uma estratégia para evitar a extradição. Mas promete examinar uma forma de recorrer da decisão. Foragido desde novembro, o condenado por envolvimento no mensalão foi preso na última quarta-feira em Maranello, na Itália.

Em sua primeira audiência, a defesa de Pizzolato argumentou que não havia risco de que ele deixasse o país. As autoridades rejeitaram tanto a liberdade condicional quanto a prisão domiciliar. "O tribunal justificou a decisão dizendo que há o perigo de fuga – e portanto é adequado que Pizzolato permaneça na prisão", declarou Lorenzo Bergami, advogado de Pizzolato.

Ele admitiu não saber por quanto tempo o brasileiro pode ficar preso. "Pode ficar um mês, dois ou seis meses (...) Pizzolato vai permanecer (na penitenciária de Módena) até que eventualmente se modifique a medida cautelar ou terá de esperar a medida da extradição", afirmou. "É prematuro dizer agora (o que vamos fazer). Precisamos pensar um pouco".

O que pesou na decisão, segundo ele, foi o fato de Pizzolato ter falsificado diversos passaportes e documentos de um irmão morto há mais de 30 anos – além de sua fuga do Brasil. "Ficou bem claro no discurso da juiza (Danila Indirle) que ele fugiu do Brasil e tinha um documento falso. A razão foi essencialmente essa. Talvez não tenha sido decisivo, mas teve uma influência", admitiu. Bergami acredita que ainda poderá apresentar em breve um novo pedido de revisão da decisão desta sexta. Admite, no entanto, que terá de esperar por "novos fatos" que justifiquem um recurso.

De volta. Após a audiência, Pizzolato foi levado de volta à penitenciária de Módena. Ao sair do tribunal, o brasileiro foi ocupar um dos últimos lugares do fundo de um furgão. O Tribunal decidiu ainda que o Brasil tem 40 dias para transmitir para a Itália documentos que justifiquem um pedido de extradição. Mas o Ministério da Justiça deixou claro que o processo deverá ser longo. Num primeiro momento, será o Tribunal de Bolonha que avaliará a questão. Mas um recurso ainda pode ser apresentado em Roma, arrastando a decisão por meses.

Em Maranello, familiares de Pizzolato não disfarçavam a irritação diante da imprensa. Fernando Grando, sobrinho e dono da casa onde Pizzolato se refugiou, acusou a imprensa de ter "escrito coisas" que o deixaram "chateado". Andrea Haas, esposa de Pizzolato, avisou que não falará com a imprensa brasileira, salvo no caso de uma revista e da imprensa italiana. "Aos italianos, sim. Aos jornalistas brasileiros ela não tem nenhuma intenção de falar", avisou Bergami.

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