Por atraso de 3 minutos, PDT e PSL ficam fora de bloco de Chinaglia

Um atraso de três minutos tirou do bloco do deputado Arlindo Chinaglia (SP) o apoio do PDT, que tem uma bancada de 20 deputados. A "barbeiragem" enfraqueceu o petista na disputa pela presidência da Câmara.

RICARDO DELLA COLETTA, ERICH DECAT E DANIEL CARVALHO, Estadão Conteúdo

01 Fevereiro 2015 | 15h33

Para deixar o quadro ainda mais complicado para o governo, que trabalha para tentar derrotar o líder do PMDB e candidato favorito Eduardo Cunha (RJ), desafeto da presidente Dilma Rousseff, o peemedebista conseguiu consolidar o maior bloco da Casa, com 218 parlamentares.

Um acordo feito pelas lideranças havia estabelecido o prazo máximo de 13h30 desta tarde para que os blocos fossem protocolados na Secretaria-Geral da Mesa. O último a fazê-lo foi o de Chinaglia, a poucos minutos para o fim do prazo, mas faltava uma assinatura do PDT para que houvesse a maioria simples da bancada, requisito exigido para o ingresso no grupo.

Oficialmente, o bloco de Chinaglia é composto por PT, PSD, PR, PROS e PCdoB, num total de 160 deputados.

O petista Vicente Cândido (SP), coordenador da campanha de Chinaglia, e o pedetista Giovani Cherini (RS) pressionaram para que o prazo fosse dilatado e as assinaturas contabilizadas. Mas lideranças dos outros blocos, como Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB, e o próprio Cunha rejeitaram um acordo. Com apenas um deputado, o PSL também perdeu a hora e não aderiu ao bloco de Chinaglia.

Cunha também teve perdas com "atrasados", porém bem menos significativas. As assinaturas do PT do B (1) e do PTC (2) tampouco chegaram a tempo. Já os nanicos PSDC, PTN, PRP, PRTB e PMN aderiram ao bloco de Cunha nos instantes finais. "Sentiram o cheiro da vitória", disse o candidato do PMDB.

Prejuízos

Fora de um bloco parlamentar, o PDT terminou a primeira etapa do processo sucessório na Câmara, que elegerá hoje o novo presidente da Casa, como o mais prejudicado. Ele contabilizará apenas sua bancada no cálculo para a distribuição dos cargos e das comissões e deverá ter seu espaço reduzido. Mas, mesmo fora, o PDT pode declarar apoio em Plenário a Chinaglia.

A construção de blocos determina o critério de distribuição proporcional dos postos na Mesa Diretora e nas comissões. Fazer parte de um bloco não significa que os deputados dos partidos votarão necessariamente nos candidatos que encabeçam os grupos, uma vez que o voto é secreto.

O bloco de Eduardo Cunha é composto por PMDB, PP, PTB, DEM, PRB, SD, PSC, PHS, PTN, PMN, PRP, PSDC, PEN e PRTB, com 218 deputados. Arlindo Chinaglia conta com PT, PSD, PR, PROS e PC do B, com 160 deputados. Julio Delgado vai para a disputa com PSDB, PSB, PPS e PV, em um total de 106 deputados. E o bloco de Chico Alencar, do PSOL, tem 5 deputados.

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