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Por apoio à reeleição à presidência do PMDB, Temer deve defender mudança no pacto federativo

- Atualizado: 07 Janeiro 2016 | 20h 35

Interlocutores do peemedebista afirmam que ele deve defender a descentralização administrativa e, consequentemente, a redistribuição da arrecadação para fortalecer as gestões municipais

BRASÍLIA - Interlocutores do vice-presidente da República, Michel Temer, afirmam que ele vai defender mudanças no pacto federativo nos discursos que fará em viagens pelo Brasil a partir do fim de janeiro. O peemedebista deve defender a descentralização administrativa e, consequentemente, a redistribuição da arrecadação para fortalecer as gestões municipais.

Trata-se de mais uma estratégia de Temer para atrair apoio a sua reeleição à presidência nacional do PMDB, durante a convenção do partido prevista para março. Após admitir a aliados que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff "perdeu força", o vice-presidente está concentrando sua articulação para permanecer no comando da legenda.

O vice-presidente da República, Michel Temer 

O vice-presidente da República, Michel Temer 

Ao defender um aumento do repasse da arrecadação para os municípios - hoje a maior parte fica com a União -, Temer encampa um dos principais pleitos dos prefeitos, que enfrentarão eleições em outubro. Com isso, o vice-presidente espera conseguir apoio de peemedebistas dos Estados e municípios que visitará para sua reeleição.

O roteiro de Temer pelo Brasil começará no fim de janeiro, a partir da região Sul. De acordo com assessores do vice-presidente, a primeira viagem está prevista para o dia 28 e deverá ser para alguma cidade de Santa Catarina ou Paraná. Os detalhes estão sendo tratados pelo ex-ministro Eliseu Padilha com as direções locais do PMDB.

Impeachment. Temer vai evitar tocar no assunto durante as viagens, dizem os interlocutores. Além de não querer passar a impressão de que está fazendo campanha para derrubar a petista, o objetivo do vice-presidente é não aprofundar a divisão interna do partido. Dessa forma, ele pretende enfraquecer o movimento da ala do PMDB que tenta tirá-lo da presidência da sigla.

Presidente do PMDB em Alagoas, o presidente do Senado, Renan Calheiros, está trabalhando para garantir votos de dirigentes estaduais da legenda para tirar Michel Temer do comando nacional do partido, cargo que ocupa desde 2005.

Como mostrou o Estado nessa quarta-feira Temer avalia que o impeachment da presidente Dilma "absolutamente perdeu relevância" no debate político, no curto prazo, após o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Hoje o momento é favorável ao governo", admite um auxiliar do vice-presidente.

Consenso. Em outra linha da estratégia para barrar o movimento que tenta derrubá-lo, Temer teria orientado a ala pró-impeachment do partido a tentar negociar com o atual líder da sigla na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), um candidato de "consenso" para a eleição do líder da bancada na Casa em 2016, que acontece em fevereiro.

Um deputado do grupo pró-impeachment afirma que a orientação de Temer foi que construam uma proposta para unificar a bancada. A ideia seria tentar negociar com o Picciani a possibilidade de um candidato que seja consenso. Segundo outro parlamentar, a ala está disposta ao diálogo, mas Picciani não teria se mostrado favorável à proposta.

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