Popularidade de Lula deixa MST em crise, diz El País

Jornal espanhol diz que própria liderança do movimento reconhece crise

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h40

A alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre as camadas mais baixas da população vem reduzindo a capacidade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de mobilizar esse grupo para suas causas, relata o diário espanhol El País em sua edição desta quinta-feira, 14. O jornal comenta que a crise no MST foi reconhecida pela própria liderança do movimento durante seu 5º Congresso, que se encerra na sexta-feira em Brasília. "Os sem-terra admitem assim tacitamente que, sob a presidência de Lula, as massas pobres não estão dispostas a se mobilizar", diz a reportagem. "Isso se deve ao fato de que, segundo o dirigente do MST João Pedro Stédile, Lula conseguiu esconder os efeitos da crise ‘com o programa Bolsa-Família’, que concede ajuda econômica a cerca de 12 milhões de pessoas", relata o texto. Para o jornal, o congresso "está evidenciando uma crise de identidade no movimento". "Não está sendo fácil para seus dirigentes traçar um caminho claro de ação para os próximos cinco anos." A reportagem observa que o MST "pela primeira vez não convidou ao congresso Lula, um antigo companheiro de luxo do movimento, alegando neutralidade com o governo com o qual não concordam com sua política econômica neoliberal". Segundo o diário, a relação do movimento com o presidente é de "amor e ódio". "Amor, porque seguem considerando Lula um dos seus, e de ódio, porque queriam que ele demonstrasse isso explicitamente". "O problema é que Lula não se mostra muito inclinado a seguir ao movimento em seus sonhos revolucionários em um país que cresce economicamente, ainda que não tanto quanto deveria, e no qual é inegável que as grandes massas de pobres melhoraram suas vidas mais que a própria classe média", conclui a reportagem. Crítica à imprensa As críticas de Lula à imprensa, durante o lançamento do Plano Nacional do Turismo, na quarta-feira em Brasília, foram destacadas nesta quinta-feira em reportagem do diário argentino Clarín. O jornal relata que Lula criticou os meios de comunicação por "seguirem a tese de quanto pior, melhor", alegando que isso prejudica a indústria turística nacional. "Essa arremetida se concentrou na negatividade jornalística nas descrições do país", diz a reportagem, afirmando que "tudo parecia sugerir que foi uma oportunidade presidencial para bater na imprensa, que há uma semana vem publicando, todos os dias, os resultados de uma operação policial que colocou no cenário o irmão mais velho do presidente, Genival Inácio da Silva". O jornal observa que "essas críticas do governo Lula à imprensa e seu pedido para que fale menos das imperfeições nacionais e mais das belezas do país já foram insinuadas no primeiro mandato". "Inclusive, o presidente estabeleceu a necessidade de ter um canal estatal de TV porque acredita ver uma falência da imprensa nacional na reivindicação das ‘coisas boas’ que acontecem no país", diz a reportagem do Clarín. Máfia das obras Outro jornal argentino, La Nación, relata em reportagem as novidades nas investigações da Polícia Federal, dizendo que "outro ministro do governo brasileiro teria ficado em uma situação crítica devido a seus supostos contatos com a máfia das licitações públicas". "Marcio Fortes, titular do Ministério das Cidades, seria o novo ‘interceptado’ pelas gravações realizadas pela Polícia Federal no contexto da Operação Navalha", afirma o diário. O jornal comenta que "o escândalo descoberto pela Operação Navalha já custou o cargo, no mês passado, ao ministro da Energia, Silas Rondeau, e deixou também em situação complicada o presidente do Senado, Renan Calheiros". A reportagem diz que "a Operação Navalha se converteu no furacão gerador de escândalos do segundo mandato de Lula", mas observa que "dos 86 detidos pela Polícia Federal na semana passada, apenas nove permaneceram detidos com prisão preventiva". "Os demais foram libertados ontem", relata o diário.

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