JF DIORIO/ESTADÃO
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Políticos à mesa sem embaraços

Restaurantes adotam estratégias para evitar escrachos de figuras públicas pelos clientes

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2017 | 05h00

Repara no desassossego que a presença de um político pode causar em um restaurante. Olhares e comentários em voz baixa estão dentro do esperado e não causam maiores constrangimentos, mas a tensão no ar advém de outra expectativa: a de que algum cliente, quiçá um eleitor indignado, se levante da mesa e comece a hostilizar a figura pública.

Políticos do PT, PSDB, PMDB e de outras legendas já passaram por essa delicada situação, sejam eles citados na Lava Jato ou não. Donos de bares e restaurantes se sentem especialmente prejudicados por esses escrachos generalizados.

“Eu costumava receber muitos políticos em meu restaurante. Hoje, esse movimento caiu em aproximadamente 80%”, disse o dono do Varanda, Sylvio Lazzarini. Ele contou que não há nenhuma recomendação especial para receber parlamentares ou afins, mas “se houver um pedido é possível disponibilizarmos uma entrada diferente”.

O presidente do Sindicato de Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo (SindResBar-SP), Wilson Luiz Pinto, disse que a orientação aos proprietários é não defender nenhum dos lados e apenas tentar acalmar a situação – oferecendo a possibilidade de troca de mesas.

Luiz Pinto também é dono do Restaurante Villa Tavola. Segundo ele, em seu estabelecimento é comum políticos e artistas optarem pela ocupação de uma sala isolada. “Eu fiz um espaço reservado na época do presidente Itamar Franco. Ele vinha muito a São Paulo e se incomodava com o assédio. Por isso, adaptei o primeiro andar para receber esse tipo de cliente, além de reuniões e festas.”

Estabelecimentos tradicionais de São Paulo, como Aguzzo, Carlino, Lelis e Nino Cucina, têm espaços diferenciados que, eventualmente, são usados para reuniões políticas. Eles podem ficar em mezaninos, imóveis anexos ou próximos da cozinha. 

Para Antônio Carlos de Toledo, proprietário da pizzaria La Marguerita, localizada nas proximidades da Câmara Municipal, a onda de escrachos foi sentida na frequência das autoridades em seu salão. “Antigamente, os carros oficiais ficavam estacionados na frente do estabelecimento. Hoje, isso mudou, mesmo quando os políticos comparecem, já não existe esse ‘relaxo’ com a coisa pública. Eles, agora, usam carros particulares”, disse. 

A gerente do restaurante Carlino, Bianca Marino, contou que, “por ser um restaurante familiar, as pessoas ficam constrangidas em ter uma atitude mais agressiva”.

Rotina. O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) já foi vítima de dois escrachos. “A reação é não mudar em nada a rotina. É não se intimidar a esse tipo de comportamento.”

O suplente de senador José Aníbal (PSDB-SP) também disse não se sujeitar a escrachos. “As pessoas que agridem políticos não são pessoas comuns, mas gente ligada aos partidos políticos.” Para ele, o problema é continuar assim até 2018. “Me preocupo com as eleições presidenciais. Acho que boas escolhas não acontecem nesse clima hostil.”

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