Policiais ofereceram pizza a petistas presos no 1º dia do grupo na Papuda

Prato foi pedido por agentes da Polícia Federal que estavam há 12 horas sem comer; demais presos são obrigados a comer as quentinhas da prisão

Fábio Fabrini e Andreza Matais, Agência Estado

29 Novembro 2013 | 20h09

O primeiro dia dos condenados do mensalão na Penitenciária da Papuda, em Brasília, acabou literalmente em pizza - mais precisamente dez, das grandes. A Polícia Federal encomendou caixas da iguaria italiana e promoveu um jantar "VIP" para os padrões da cadeia.

Proibida aos demais presos, que são obrigados a comer as quentinhas da prisão, a massa foi comprada pelos policiais de plantão e chegou à cela 4, que abrigava o deputado licenciado José Genoino (PT-SP), o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o ex-tesoureiro do PL (hoje PR), Jacinto Lamas.

O cardápio da primeira noite no xadrez é citado em relatório do procurador federal dos Direitos do Cidadão, Aurélio Virgílio Veiga Rios, que visitou o Centro de Detenção Provisória da PF, na Papuda, em 17 de novembro, um dia após a transferência dos presos a Brasília. Na ocasião, o procurador e dois promotores do Ministério Público do DF encontraram no local restos da comida entregue na véspera.

"Constatamos, na entrada da ala dos detentos provisórios, a existência de dois sacos de lixo de 100 litros com as embalagens de pizza que foram encomendadas pela PF, tarde da noite, quando se decidiu que os cidadãos presos ficariam naquele recinto", relatou o procurador.

Ao Estado, a PF explicou que as pizzas foram pedidas pelos agentes, que estavam sem comer havia 12 horas, e oferecidas por educação "apenas a Genoino".

O jantar na Papuda veio da rede de pizzarias Nathely, que tem uma unidade no Jardim Botânico, bairro próximo ao presídio, e vende discos de tamanho único (oito fatias), a preços módicos. São mais de 30 opções no menu, a R$ 10,99, R$ 14 ou R$ 17.

Os entregadores estão acostumados a levar encomendas à Papuda. "A gente entrega lá dentro, mas o motoboy não gosta. Prefere na guarita, do lado de fora", explicou ontem uma das atendentes da pizzaria.

Desde a transferência à Papuda, diversas situações evidenciaram tratamento diferenciado aos condenados do mensalão, que receberam romarias de visitantes 'ilustres', a maioria congressista, fora dos dias e horários previstos para os demais internos.

Parentes e amigos dos presos comuns, no entanto, comemoraram a mudança de tratamento dos funcionários da penitenciária - agora supostamente mais cortês - na fila para a revista e a entrada.

Na quinta-feira, a Vara de Execuções Penais (VEP) do DF determinou tratamento igualitário, em relação a alimentação e visitas, aos presos da Papuda, em Brasília."A quebra da isonomia encontraria justificativa apenas e tão somente se fosse possível aceitar a existência de dois grupos de seres humanos", diz a decisão.

Procurado pelo Estado, o procurador Aurélio Virgílio não se pronunciou. A VEP informou que a ala da PF na Papuda é federal e não está sob sua jurisdição.

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