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Policiais federais recolhem documentos na casa do coronel Paulo Malhães

Clarissa Thomé - O Estado de S. Paulo

28 Abril 2014 | 20h 55

A pedido do Ministério Público Federal, agentes recolheram três computadores, mídias digitais, agendas e relatórios que podem esclarecer crimes na ditadura

Rio - Policiais federais recolheram três computadores, mídias digitais, agendas e documentos que seriam da época da ditadura militar, inclusive relatórios de operações, no sítio do tenente-coronel do Exército Paulo Malhães, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O oficial reformado, que confessou ter matado e torturado militantes de esquerda, morreu aos 77 anos, na quinta-feira, durante assalto no seu sítio.

Em entrevista ao Estado, em março, Malhães afirmou que havia destruído todos os documentos referentes ao período em que foi agente do Centro de Informações do Exército, mas que preparava um livro sobre sua participação no regime militar. O tenente-coronel disse na ocasião que não pretendia escrever, mas gravar suas memórias.

O mandado de busca e apreensão foi deferido pelo juiz federal Anderson Santos da Silva, a pedido do Ministério Público Federal. O objetivo era recolher documentos que pudessem esclarecer crimes cometidos por agentes do Estado durante a ditadura. A busca no sítio de Malhães durou 3h30.

Malhães já vinha sendo investigado pelo MPF, que tentou intimá-lo a prestar depoimento em dezembro de 2013 e março de 2014. O militar se recusou a comparecer. Após a recusa, ele falou às comissões estadual e nacional da Verdade.

Em nota, o MPF informou que, em novembro de 2012, a família do coronel assassinado Júlio Molinas Dias entregou documentos públicos produzidos pela repressão que estavam em poder do morto. "Dentre os documentos entregues, havia provas da participação de Molinas e outros militares no atentado à bomba no Riocentro, crime denunciado pelo MPF à Justiça em fevereiro último".