Polícia irá investigar ações de MST na fazenda Cutrale

Inquérito foi aberto quarta e prazo para a investigação é de 30 dias, mas delegado diz que pode se estender

Agência Brasil,

08 Outubro 2009 | 17h11

A Polícia Civil de Borebi (SP) abriu um inquérito para investigar a invasão da Fazenda Santo Henrique, de propriedade da empresa Cutrale, por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O inquérito foi aberto na quarta-feira, 7, e tem o prazo de 30 dias para ser concluído, mas o delegado Jader Biazon, responsável pelo caso, disse nesta quinta, 8, à Agência Brasil que o tempo para conclusão do inquérito pode ser estendido.

“O inquérito visa apurar todas as circunstâncias do fato e apurar a autoria dos crimes que aconteceram lá”, disse o delegado. Segundo ele, o inquérito está investigando, em princípio, as práticas de formação de quadrilha, furto, dano e invasão de propriedade.

“Na doutrina penal, costumamos dizer que houve uma verdadeira progressão criminosa ali. Eles invadiram a propriedade com a finalidade do esbulho possessório (invasão de propriedade), mas não ficaram somente nisso. Eles furtaram veículos, tratores, equipamentos agrícolas, insumos e implementos. E o que eles não conseguiram furtar, eles danificaram. Danificaram cerca de 28 tratores, caminhões, moradias, equipamentos, além de cerca de 12 mil pés de laranja”, citou o delegado.

De acordo com ele, também foram furtados móveis e eletrodomésticos das casas de cinco colonos que lá viviam. Biazon disse que o prejuízo, que ainda está sendo avaliado, já é maior do que R$ 1 milhão.

A fazenda foi tomada por integrantes do MST no dia 27 de setembro e desocupada na quarta-feira, 7, pacificamente, após determinação da Justiça.

De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Fazenda Santo Henrique está incluída no Núcleo Colonial Monção, uma área de 40 mil hectares espalhadas entre os municípios de Agudos, Águas de Santa Bárbara, Borebi, Iaras e Lençóis Paulista.

Uma parte dessas terras foi comprada pela União e outra recebida pelo governo federal como pagamento de dívidas das companhias de Colonização São Paulo e Paraná. Segundo o Incra, há um processo em tramitação na Justiça, desde 1997, visando à desapropriação da fazenda para fins de reforma agrária.

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