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Polícia Federal relaciona Mossack a outros escândalos

Offshores criadas por empresa com sede no Panamá já foram alvo de operações e casos como o CC5, Alstom e Ararath

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Ricardo Brandt,
O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2016 | 03h00

Um diagrama montado pela Polícia Federal, no pedido de prisões da Operação Triplo X, com base na troca de e-mail e conversas de alvos ligados à empresa Mossack Fonseca & Co – especializada na abertura de empresas offshores pelo mundo – indica que as apurações do Ministério Público Federal na Lava Jato podem resgatar escândalos passados, como os casos CC5, Alstom e Ararath.

As investigações da Triplo X tem como eixo principal a Mossack Fonseca & Corporate Services, que tem sede no Panamá e um escritório no Brasil, na Avenida Paulista. 

Seis investigados na operação são funcionários da empresa. Há ainda controladores de offshores abertas por ela, como Ademir Auada – flagrado em uma escuta telefônica em conversa com a filha sobre “destruição de papéis”. 

"É uma empresa com sede no Panamá, escritórios pelo mundo inteiro, inclusive em São Paulo, apesar de constar inativa perante os órgãos federais, essa empresa estava providenciando a abertura e manutenção de offshores no exterior. Temos isso já verificado por quebras de sigilo telefônico e temos imensa gama de pessoas, não necessariamente ligadas à Operação Lava Jato, mas pessoas outras, por motivos diversos, que ocultaram valores no exterior através de offshores mantidas por essa empresa”, afirmou o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima.

Com base nas escutas autorizadas pelo juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos em primeira instância da Lava Jato –, a PF montou o quadro com offshores, seus beneficiários aparentes e países onde ela atua. 

Há nomes numa lista de mais de 30 beneficiários, que podem ser intermediários dos verdadeiros donos, como Eric Freitas, que aparece como responsáveis por 5 offshores, uma coincidentemente com o nome de Triple X Advisors Corp, aberta em 2009.

A Polícia Federal montou relatórios com mais de um diagrama com as relações de negócios da Mossack. Em um deles, incluído no pedido de prisão, apresenta dados de offshores que caíram nos radares da PF em outros três casos de grande repercussão: CC5 (Caso Banestado), Alstom e Operação Ararath.

Nenhum representante da Mossack Fonseca foi localizado nesta quinta-feira, 28, para comentar as investigações da Lava Jato. Os advogados dos funcionários da empresa no Brasil, presos anteontem, informaram que eles vão colaborar com as apurações. 

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