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PMDB pode minar campanha de Dilma em alguns Estados

ELIZABETH LOPES E JOSÉ ROBERTO CASTRO - Agência Estado

09 Abril 2014 | 16h 13

Considerado o maior aliado do PT na Presidência da República, a despeito das crises e rebeliões, o PMDB vive nesta corrida presidencial um cenário inverso ao do pleito de 2002, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistava seu primeiro mandato no Palácio do Planalto, derrotando nas urnas o então candidato tucano José Serra. Naquele ano, o PMDB compunha a aliança nacional com o PSDB, contudo, a base do partido decidiu apoiar o PT de Lula. Nessas eleições, o PMDB é parceiro de Dilma em sua disputa pela reeleição, mas em colégios eleitorais de peso, como Rio, Minas e Bahia, a base da sigla deverá fazer campanha para a oposição.

Apesar da crise que envolve o Planalto e setores do PMDB da Câmara dos Deputados, o partido deverá estar na aliança majoritária do PT nessa eleição presidencial, com Michel Temer na vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff. Em 2002, foi justamente Temer, então presidente nacional do PMDB, quem levou o partido a uma composição na chapa presidencial do tucano José Serra, com a ex-deputada capixaba Rita Camata (que foi filiada ao PMDB até outubro de 2009 e depois migrou para o PSDB). A aliança com os tucanos não conseguiu sensibilizar as bases da legenda, em muitos Estados, os correligionários de Camata acabaram fazendo campanha por Lula.

Este ano, a inversão de cenário começa a tomar corpo nesta pré-campanha eleitoral e muitos diretórios estaduais do PMDB já declaram abertamente que mesmo com a coligação nacional com o PT, a base da sigla irá fazer campanha para os candidatos de oposição, o tucano Aécio Neves e o pessebista Eduardo Campos. "Em alguns dos maiores colégios eleitorais do País, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul, o PMDB já prometeu trabalhar para a oposição e essa situação é mais uma notícia ruim para a campanha de reeleição de Dilma", informa o cientista político e professor de administração pública da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo Marco Antonio Carvalho Teixeira.

As dificuldades no cenário econômico, o escândalo da Petrobras, a crise do setor energético e a queda nas recentes pesquisas de intenção de voto são ingredientes que podem fazer com que a presidente Dilma mobilize seu maior aliado em torno de sua candidatura à reeleição, acredita o cientista político. E o peso dessa divisão, numa campanha acirrada como essa, será mais uma notícia ruim a rondar a presidente da República.

Respeito

A ala mais oposicionista do PMDB mineiro não deve se opor à aliança nacional com o PT, mas isso não quer dizer que haverá mobilização pela reeleição de Dilma. O deputado federal Leonardo Quintão diz que seu grupo votará pela chapa Dilma/Temer por "respeito ao Michel". Mas alfineta: "Em contrapartida, o Michel não é respeitado pelo PT." Apesar do apoio pró-forma à manutenção da aliança, Quintão garante: "Nós não iremos entrar na campanha da presidenta Dilma."

Geddel Vieira Lima, provável candidato do PMDB baiano e ex-ministro de Lula, acredita que a presidente terá "muita dificuldade" em mobilizar a base do partido no Estado para trabalhar em sua reeleição. Geddel, que era vice-presidente da Caixa até o final do ano passado, ganhou as manchetes no último mês ao aparecer ao lado de Eduardo Campos e Aécio Neves no aniversário de sua filha. A festa foi considerada quase como uma reunião política da oposição ao governo.

Geddel ainda não confirma a candidatura, mas deve enfrentar o petista Rui Costa, candidato do governador da Bahia, o petista Jaques Wagner, na disputa pelo governo do Estado. Perguntado se as disputas estaduais entre PT e PMDB poderiam desmobilizar as bases, Geddel confirmou. "Atrapalha, no Brasil todo, não tenha dúvida nenhuma."

No Rio de Janeiro, a oposição ao governo Dilma é explícita e o presidente estadual do partido, Jorge Picciani, não hesita em dizer que haverá uma coalizão de partidos que trabalhará pela dupla Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Aécio Neves (PSDB). "As divergências entre o PMDB e o PT existem em todos os Estados brasileiros, uns mais, outros menos. Então não será como da última vez quando nós todos votamos pela chapa Dilma/Temer", analisa.

Perguntado se a divisão no partido diminui a força da candidatura de Dilma, Picciani não hesitou em falar da divisão da sigla nessas eleições: "O PMDB é uma frente, não é um partido de unidade. O que as pessoas vão manter é o respeito pessoal ao Temer, mas vai haver campanha contra." Ele acredita que Aécio terá apoio em localidades importantes do Estado, onde não tem muita penetração, como Baixada e Interior. E brinca: "Aécio é o mais carioca dos mineiros."

Já em Pernambuco, reduto eleitoral do ex-governador Eduardo Campos (PSB), provável candidato de sua legenda à Presidência da República nestas eleições, o PMDB se aproximou dos pessebistas, depois de mais de duas décadas distante. Tanto que o vice na chapa do candidato de Campos ao governo do Estado, seu ex-secretário de Fazenda Paulo Câmara, é o deputado federal pelo PMDB Raul Henry. Ao defender a aliança em prol da candidatura Campos, Henry destaca que este é o melhor caminho para fugir da polarização PT-PSDB.

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