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PMDB obtém apoios, se une à oposição e impõe derrota ao governo na Câmara

João Domingos - O Estado de S. Paulo

11 Março 2014 | 22h 02

Integrantes da base aliada combinam ação com partidos de oposição e fustigam Dilma com aprovação de requerimento que cria comissão externa para investigar a Petrobrás

Brasília - Liderada por deputados do PMDB, parte da base aliada de Dilma Rousseff se uniu nesta terça-feira, 11, à oposição e derrotou o governo na Câmara. Os rebeldes conseguiram aprovar requerimento do PSDB para criação de uma comissão externa de parlamentares a fim de ir à Holanda apurar denúncias surgidas no país europeu de pagamento de propina a funcionários da Petrobrás.

O resultado ocorreu a despeito de o governo ter reaberto o balcão da reforma ministerial com o PP e o PROS e ter conseguido deles a promessa de que vão abandonar a aliança informal com o PMDB e outros quatro partidos no chamado "blocão".

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, se reuniu com aliados pela manhã. O vice-presidente Michel Temer tentou demover seus correligionários peemedebistas, também pela manhã. Não houve sucesso no atacado, apenas no varejo.

Além das promessas de PP e PROS, o PDT abandonou o "blocão". Até tentou obstruir a votação do requerimento do PSDB.

Mas o PMDB da Câmara - batizado de "ala rebelde" em meio à disputa por emendas parlamentares, espaço no governo e palanques regionais nas eleições - conseguiu apoio de governistas do PTB, do PR e do PSC. Com os votos dos oposicionistas do PSDB, DEM, PPS, PSOL e Solidariedade (SDD), o placar pela aprovação da criação da comissão para investigar a Petrobrás foi de 276 a favor do requerimento - entre eles 158 votos governistas - diante de 28 contrários. Houve ainda 15 abstenções no plenário.

A comissão que irá à Holanda não tem poder de CPI nem pode convocar ninguém para depor, mas tem potencial de desgastar o governo e a estatal, alvo de críticas do mercado por causa de seu modelo de administração. Após a viagem ao país europeu, os deputados terão de apresentar um relatório e poderão até pedir um aprofundamento das investigações sobre a Petrobrás.

A rebelião da base ocorre no momento em que Dilma está no Chile e Luiz Inácio Lula da Silva, seu fiador político, na Itália.

As retaliações devem continuar. Em reunião fechada, os peemedebistas decidiram nesta terça convocar nos próximos dias o ministro da Saúde, Arthur Chioro, para falar sobre o programa Mais Médicos. O partido vai ainda aprovar convites para que a presidente da Petrobrás, Graça Foster, fale sobre as denúncias contra a estatal, e para que o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, explique os seguidos apagões no País. Outras convocações de ministros serão avaliadas individualmente.

Porta-voz. O grande vitorioso do dia foi o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que há semanas vem tecendo críticas ao governo e ao PT.

Os colegas, do PMDB e de outros partidos da base, fizeram desagravo a Cunha. Segundo relatos, Temer passou a ser alvo de críticas por defender mais o governo que o partido. A declaração do vice-presidente dando a aliança como "garantidíssima" irritou os deputados.

Em nota aprovada na reunião, além de reiterar o apoio a Cunha, o PMDB declarou que vai agir com independência na Câmara e reivindicou a convocação da direção do partido para "reavaliar a qualidade da aliança com o PT".

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