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André Dusek / Estadão

PMDB não abandona cargos no governo Dilma e fixa prazo de 30 dias para 'meditação'

Segundo secretário-executivo do partido, Eliseu Padilha, maioria da base do PMDB quer rompimento com o governo

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Adriana Fernandes, Leonêncio Nossa,
O Estado de S. Paulo

12 Março 2016 | 16h36

Apesar dos gritos de "Michel Temer para presidente" e "fora Dilma", na convenção do PMDB, por ora nenhum integrante do governo Dilma Rousseff vai precisar abandonar o cargo e as vantagens de um posto na máquina pública.

O prazo de 30 dias para o PMDB decidir se vai deixar o governo, aprovado hoje pelo partido, será de "meditação" e "amadurecimento" para os peemedebistas que têm cargos no governo, segundo o ex-ministro da Aviação Civil do governo Dilma e secretário-executivo do partido, Eliseu Padilha.

Durante esse período, disse Padilha, os representantes da legenda no governo vão poder encontrar uma forma de se prepararem para a decisão que o partido tomar, disse o ex-ministro de Dilma e secretário-executivo do partido, Eliseu Padilha. Ele afirmou que a maioria absoluta da base do partido, que está perto das ruas, quer o rompimento com o governo.

"Estamos dando a resposta a nossa base. Dizendo que em 30 dias vamos analisar as circunstâncias de cada um dos companheiros que estão no governo. Temos que construir uma forma para que eles possam atender na plenitude o que seja a decisão do nosso partido", afirmou Padilha.

Desse forma, avaliou ele, quando houver uma decisão, eles estarão preparados para deixar o governo. "Trinta dias não é muito tempo. É menos do que um mandato de quatro anos", ironizou. A convenção também aprovou que nenhum integrante do partido vai poder assumir um cargo no governo nesses 30 dias.

Sobre a possibilidade de o impeachment da presidente ser alimentado por um eventual rompimento do PMDB, o secretário-executivo avaliou que esse processo não é uma questão partidária.

"O impeachment não é questão do partido. Não adianta o partido A querer e o B não. Não se faz a partir de um partido político só. Partido político pode às vezes até induzir. Mas a vontade política que se vê é a do cidadão", afirmou. "Esse é um processo em que o nosso partido o melhor que faz é não fazer absolutamente não fazer nada. Deixa o cidadão e as ruas dizerem o que querem", completou.

Economia. Nos discursos na convenção, quase nada de falou sobre a crise econômica. No auditório, apenas o que se viu foi uma placa levantada a todo momento de integrante da legenda pedindo a redução de 20% do custo Brasil. Para Padilha, a ausência de temas econômicos nos discursos se deve ao fato de que sem resolver a crise política não haverá solução para a economia.

"Uma retroalimenta a outra. A mais grave é a política, mas a de maior consequência na cidadania é a economia, como desemprego, inflação", disse. Na sua avaliação, as variáveis da economia dependem hoje da política. "A política é que vai restabelecer a confiança. E não existe a recuperação na economia sem a confiança dos empreendedores", afirmou.

 

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