PMDB mira 2º escalão para tirar prejuízo

Alvos são as diretorias do Banco do Brasil, da Caixa, da Petrobrás, da BR Distribuidora e do Departamento de Obras Contra as Secas

Christiane Samarco, João Domingos e Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo,

09 Dezembro 2010 | 23h01

BRASÍLIA - Insatisfeitos com a perda de poder que lhes foi imposta na escolha do ministério pela presidente eleita, Dilma Rousseff, dirigentes do PMDB se preparam para ir à forra na montagem do segundo escalão.

 

O maior embate será com o PT e o PSB - para os peemedebistas os principais responsáveis por lhes tirarem as melhores vagas da Esplanada dos Ministérios.

 

O PMDB quer esticar a escolha do segundo escalão para janeiro, podendo, assim, atrelar as negociações dos cargos com a definição das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. Os alvos dos peemedebistas são as diretorias do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobrás, da BR Distribuidora e do Departamento de Obras Contra as Secas (Dnocs), e as presidências do Banco do Nordeste (BNB) e do Banco da Amazônia (Basa).

 

Um dos candidatos a ocupar uma das vice-presidências da Caixa é o ex-governador de Goiás Iris Rezende. Ele já recebeu um telefonema da equipe de transição da presidente eleita. E foi chamado a Brasília nesta quinta-feira, 9, para uma conversa com o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Iris aproveitou para pedir um cargo no segundo escalão para o ex-deputado Marcelo Mello, que foi candidato a vice na sua chapa, derrotada pelo tucano Marconi Perillo.

 

Maior banco de fomento da Região Norte - responde por mais de 80% de todo o crédito de longo prazo aplicado nos sete Estados nortistas -, o Basa é comandado hoje por Abidias Júnior, ligado ao PT da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa. A petista já pediu o cargo de presidente do banco a Dilma Rousseff, durante encontro das duas no dia 30, em Tucuruí. A esperança do PMDB é que Dilma busque agradar ao senador eleito Eduardo Braga (PMDB-AM), dando a alguém ligado a ele a presidência do Basa.

 

Gestos

 

A cúpula do PMDB está particularmente irritada com o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Avalia que a articulação de Campos para "tomar" o Ministério da Integração Nacional do partido foi um "gesto político" para enfraquecer o PMDB, que tem na figura do senador Jarbas Vasconcelos (PE) seu maior adversário.

 

O maior sonho do PMDB é conquistar a presidência da Petrobrás, que, avaliam, deverá ficar vaga em um ano ou dois, com a saída de Sérgio Gabrielli, do PT baiano, que poderá disputar um cargo eletivo em 2012.

 

O projeto de curto prazo é avançar sobre diretorias da estatal. Querem a de Gás, indicação de Dilma, e a de Serviços, na cota do petista José Dirceu.

 

Ainda no setor elétrico, o PMDB quer recuperar a presidência da Eletronorte. Desde que Jorge Palmeira morreu (há pouco menos de um ano), o PMDB não indicou substituto. Palmeira era apadrinhado de Jader Barbalho (PMDB-PA), que teve o registro de candidato a senador cassado com base na Lei da Ficha Limpa.

 

Apaziguador

 

O presidente Lula está tentando ajudar Dilma a acalmar o PMDB. Anteontem, em jantar com parlamentares do partido, ele avisou que um sempre será uma pedra no sapado do outro, mas que a convivência é possível. "O partido está se pacificando. Há pessoas que esperavam ser escolhidos e não foram", afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Mais conteúdo sobre:
PMDB 2º escalão prejuízo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.