PMDB lamenta 'irresponsabilidade' de Janot após denúncia contra cúpula da sigla

Também acusados no 'quadrilhão', as defesas dos minitros Moreira Franco e Eliseu Padilha questionaram a denúncia e negaram irregularidades

Thiago Faria, Felipe Frazão e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 19h49

BRASÍLIA - O PMDB, partido que é acusado da formação de um "quadrilhão" na Câmara dos Deputados, divulgou nota na noite desta quinta-feira, 14, lamentando o que chamou de "irresponsabilidade" de Rodrigo Janot e sugerindo interesses do procurador-geral da República diversos da investigação:

"O PMDB lamenta mais um ato de irresponsabilidade realizado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Toda a sociedade tem acompanhado os atos nada republicanos das montagens dessas delações. A justiça e sociedade saberão identificar as reais motivações do procurador."

Na segunda denúncia, apresentada nesta quinta-feira, 14, Janot acusa o presidente Michel Temer (PMDB) de ter atuado como líder da organização criminosa de seu partido desde maio de 2016 e acusa os integrantes do chamado "quadrilhão do PMDB da Câmara", entre eles, o ministro Moreira Franco.

Segundo a denúncia, eles praticaram ações ilícitas em troca de propina por meio da utilização de diversos órgãos públicos, como Petrobras, Furnas, Caixa Econômica, Ministério da Integração Nacional e Câmara dos Deputados. 

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, negou, por meio de nota, que tenha participado de qualquer grupo para a prática de ilícito. "Reitero que jamais participei de qualquer grupo para a prática do ilícito. Essa denúncia foi construída com a ajuda de delatores mentirosos que negociam benefícios e privilégios. Responderei de forma conclusiva quando tiver conhecimento do processo", afirmou.

Já a defesa do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), criticou o fato de a denúncia se basear em delações que classificou como "suspeitas". “Entendo como equivocado o oferecimento de uma denúncia com base em delações que estão sob suspeita, mas iremos demonstrar nos autos a inexistência da hipótese acusatória”, disse o advogado Daniel Gerber. 

Já Marcelo Leal, que faz a defesa de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), preso durante as investigações da Operação Lava Jato, disse que o ex-ministro "ainda não havia acessado a denúncia e não se manifestaria sobre o tema". 

 

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