PMDB já pressiona por desembarque de gestão Haddad

Temer informa a secretário que partido vai apoiar Marta Suplicy em 2016 e prefeito petista demite nomes da cota peemedebista

Bruno Ribeiro, Pedro Venceslau, Ricardo Galhardo, Adriana Ferraz e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2015 | 02h06

Enquanto no plano nacional a presidente Dilma Rousseff deu recentemente mais espaço para o PMDB na Esplanada dos Ministério com o objetivo de evitar que o pedido de impeachment avance no Congresso, na capital paulista a pareceria entre petistas e peemedebistas já começa a desmoronar.

Em uma reunião no fim de semana passado, o vice-presidente Michel Temer, que controla o PMDB no Estado, informou o secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita (PMDB), que é presidente do PMDB paulistano e aliado do prefeito Fernando Haddad (PT), que o partido "tende" a ter candidatura própria em 2016, e que o nome mais cotado para disputa é o da senadora Marta Suplicy - ex-petista e ex-prefeita que se filiou recentemente à legenda.

Os peemedebistas paulistas pressionam o partido a deixar a gestão Haddad para que uma eventual candidatura de Marta não seja, nas palavras de um dirigente da legenda, "contaminada" pelo carimbo de governista e acusada de "oportunismo", já que o PMDB controla três secretarias municipais: Educação, Assistência Social, com Luciana Temer, filha do vice presidente, e Pessoa com Deficiência, com Marianne Pinotti.

Até segunda-feira eram quatro os secretários peemedebistas. Porém, depois de ser informado por Chalita da decisão de Temer, Haddad demitiu o secretário municipal de Segurança Urbana, Ítalo Miranda Junior, que era da cota do PMDB.

Subprefeitos. Ontem o prefeito publicou portarias demitindo os subprefeitos de Santana, Carlos Roberto Candella, e de Santo Amaro, e Valderci Malagosini Machado, que também era da "cota" peemedebista".

A medida despertou a fúria da bancada do PMDB da Câmara Municipal - são quatro vereadores do partido - que marcou uma reunião para a próxima segunda-feira para decidir se desembarca de vez do governo.

Para a Prefeitura, as divergências políticas com o partido são questões secundárias e as três demissões dessa semana foram baseadas em questões técnicas. No caso de Santana, a Controladoria-Geral do Município (CGM) havia publicado um relatório de 64 páginas apontando diversas irregularidades no órgão. No caso de Santo Amaro, há apuração semelhante.

Questionado se a demissão de Ítalo Miranda gerou atrito com o PMDB, Haddad disse que não havia conversado "com ninguém" do partido sobre isso. "Eu converso com o presidente do diretório municipal que é o Chalita e me entendo com ele."

A entrada de Marta no PMDB, porém, isolou Chalita no partido, e implodiu as pontes criadas pelo prefeito. "O PMDB já tomou a decisão de ter candidato próprio na capital. O partido precisa crescer novamente. Para isso precisamos disputar a capital, que fala diretamente para um terço do Estado", disse o deputado federal Baleia Rossi, presidente estadual do PMDB. "Ano que vem definiremos se será o Chalita ou a Marta."

Quando questionado sobre qual será então o momento de entregar os cargos na prefeitura, Baleia Rossi afirma que essa questão será discutida na semana que vem.

O PT já enxerga os sinais do "efeito Marta" no comportamento da bancada do PMDB na Câmara. Na semana passada, apenas um dos quatro vereadores peemedebistas votou a favor do projeto que prevê mudanças na cobrança do IPTU na capital. Os petistas avaliam o comportamento dos aliados na Câmara como "dúbio". 

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