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PMDB do Sul e de MS apresentam moção de desembarque do governo Dilma

- Atualizado: 07 Março 2016 | 15h 45

Diretórios entregarão o documento na Convenção Nacional do partido, no próximo sábado; peemedebistas citam acontecimentos das últimas semana na Lava Jato como fonte da ampliação da crise atual

BRASÍLIA - Os diretórios estaduais do PMDB do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e do Mato Grosso do Sul irão apresentar na Convenção Nacional do partido, prevista para o próximo sábado (12), moção em que defendem o desembarque imediato do governo da presidente Dilma Rousseff. A ideia, segundo alguns dos responsáveis pelo documento é de também coletar, ao longo da semana, apoio de outros Estados e levá-lo para votação no dia do encontro nacional do partido. Na ocasião, o vice-presidente da República, Michel Temer, deverá ser conduzido ao comando da legenda, posto que ocupa desde 2001.

O deputado Osmar terra (PMDB-RS)
O deputado Osmar terra (PMDB-RS)

“Vamos informar ao Michel sobre a moção que preparamos. Mas antes vamos coletar assinaturas de outras bancadas. Acreditamos que também teremos apoio de São Paulo, Espirito Santo, Bahia, Pernambuco, Acre e talvez Tocantins”, disse o deputado federal Osmar Terra, vice-presidente estadual do PMDB em RS. “Hoje, 80% das bases do partido apoiam o desembarque”, acrescentou.

O texto final do documento foi fechado em reunião realizada nesse último sábado na capital gaúcha e contou com a participação dos deputados federais do RS, SC, PR e MS. O documento, que passou pela aprovação “unânime” dos diretórios estaduais, traz uma série de críticas ao PT e propõe o afastamento do governo Dilma e independência na atuação no Congresso Nacional.

“Propomos: que o PMDB se afaste dessa desastrosa condução do País e atue de forma independente do governo federal, nas suas ações e nas suas posições no Congresso Nacional. Temos que desembarcar do governo e construir a unidade em torno do vice-presidente Michel Temer e do partido, para socorrer o Brasil e ajudá-lo a sair do precipício onde se encontra. Isso é incompatível com seguir cegamente um governo que nunca nos ouviu ou respeitou”, diz trecho do documento intitulado Carta de Porto Alegre.

Na moção, os peemedebistas citam, indiretamente, como fonte da ampliação da atual crise política, os episódios das últimas duas semanas que englobaram a prisão de João Santana, marqueteiro das últimas campanhas presidenciais do PT; a delação do senador Delcídio Amaral (PT-MS) e Operação da Lava Jato dessa sexta-feira, 4, que teve como foco principal o ex-presidente Lula.

“A crise ética avilta a Nação e chega ao centro do poder! A crise política alterna a condição de causa e efeito do quadro emergencial que vivemos agora. Mas tais crises estão ainda no seu início. Na raiz de tudo está uma condução do país errática, desacreditada e que se enfraquece a cada dia”, diz o texto.

Embora façam parte do governo, ocupando a vice-presidência da República e cinco ministérios, os peemedebistas considera que o governo não consegue encontrar soluções para a crise política e econômica e se pauta pela “ pressão de cargos”.

“Agora o governo, sem apontar um caminho claro, rende-se a um jogo político pautado pela pressão por cargos, num leilão sem qualquer respaldo em projetos ou propostas, sem conseguir apontar um horizonte de esperança para o povo brasileiro”, diz trecho da moção.

Na convenção do PMDB, além da escolha do presidente da legenda, também serão definidos os demais postos do Diretório Nacional e Executiva Nacional. O encontro está previsto para ocorrer, em Brasília, na véspera das manifestações contra o governo Dilma marcadas para o próximo domingo, 13.

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