Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PMDB deve anunciar afastamento do maior bloco da Câmara

Previsão é de lideranças envolvidas nas negociações e seria uma consequência da manobra do presidente da Casa Eduardo Cunha para rachar o grupo

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 16h17

Brasília - O anúncio do afastamento do PMDB do maior bloco da Câmara ocorrerá na tarde desta quarta-feira, 7, de acordo com lideranças envolvidas nas negociações. O PMDB junto com PP, PTB, PSC, PHS e PEN forma atualmente o maior grupo da Casa, com 149 deputados.

"Vamos fazer uma coletiva para anunciar a formação do novo bloco sem o PMDB", afirmou o líder do PSC, André Moura (SE). O único partido do bloco que deve permanecer ao lado do PMDB é o PEN que hoje conta com uma bancada com dois deputados. Segundo Moura, ainda não foi definido quem será o novo líder do bloco. Decisão que deve ocorrer somente na próxima semana.

A ação para encerrar a aliança, segundo integrantes do governo e lideranças partidárias, é operada nos bastidores pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como forma de "estancar" a ascensão política de Picciani, ocorrida após a ampliação da presença do PMDB no primeiro escalão do governo.

Na análise de governistas ouvidos pela reportagem, a manobra de Cunha busca inicialmente rachar o bloco para depois dividir a bancada do PMDB na Câmara, o que resultaria no enfraquecimento de Picciani. Dessa forma, o líder peemedebista também ficaria inviabilizado para disputar a Presidência da Câmara em uma possível dobradinha com o PT em 2017, quando Eduardo Cunha encerra o mandato no comando da Casa.

Picciani também não teria força para substituir Cunha, como deseja o Palácio, numa eventual saída do presidente da Câmara em decorrência dos desdobramentos da Operação Lava Jato. Numa contraofensiva à ação de Cunha e lideranças partidárias que tentam isolá-lo, Leonardo Picciani iniciou nesta quarta um corpo a corpo com parlamentares para tentar assegurar a sua recondução na liderança no próximo ano.

Aproveitando a presença de alguns integrantes da bancada na sessão do Congresso desta tarde, Picciani abordou pessoalmente parlamentares informando que tentará permanecer na liderança, cargo que deve ocupar até o início do próximo ano. A dinâmica da abordagem, segundo o Estado acompanhou, ocorreu da seguinte forma: primeiro, Picciani realizava uma conversa com deputado no plenário e após deixar o local, surgiam com uma lista nas mãos os deputados Carlos Henrique Gaguim (PMDB-TO) e Washington Reis (PMDB-RJ). 

"Ele foi me comunicar que é candidato à reeleição. Disse que tenho todo o respeito por ele, que temos que mantê-lo no cargo até o fim do mandato da liderança. E quando esse prazo se encerrar, diante das circunstâncias, discutir a questão", afirmou ao Estado o deputado José Fogaça (PMDB-RS), um dos que foi abordado pessoalmente por Picciani. "Temos as assinaturas necessárias. Já temos pelo menos 40", afirmou Gaguim, referindo-se aos apoios já garantidos em favor de Picciani. 

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