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Planalto tenta minimizar vazamento e manter ministro da Transparência no cargo

Após vazamento de áudios, situação de Fabiano Silveira ainda está sendo discutida; no domingo, Temer fez reunião no Jaburu

Murilo Rodrigues Alves e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2016 | 12h12

BRASÍLIA - Apesar da tensão criada pelas novas revelações do processo de delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, envolvendo o atual ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, o governo interino busca uma saída para mantê-lo no cargo, apurou o Estado. A situação de Silveira, porém, ainda está sendo discutida. No domingo, 29, ele se reuniu, à noite, com o presidente em exercício Michel Temer. Nesta segunda-feira, 30, Temer faz reunião com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. 

No domingo, também participou do encontro, no Palácio do Jaburu, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que retornou a Brasília apenas para a reunião. Em seguida, viajou novamente para São Paulo, onde participou de evento nesta segunda, 30. Moreira Franco também fez bate-volta do Rio para Brasília para participar do encontro.

A avaliação de interlocutores do presidente é que ainda “é preciso esperar o desenrolar dos fatos” para que se tome uma decisão. No domingo, segundo fontes, Silveira procurou o presidente no Palácio do Jaburu para se explicar e teria saído de lá convencido de que Temer o daria mais um voto de confiança. No Palácio do Planalto, o clima é de apreensão e espera. “O assunto dominante é esse, vamos de novo começar a semana no improviso”, disse outro assessor palaciano.

Fabiano Silveira foi gravado por Sérgio Machado, que se tornou delator da operação. Os áudios foram exibidos no domingo pelo programa Fantástico, da TV Globo. No áudio, após Machado criticar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Silveira disse: "Eles estão perdidos nessa questão [da Lava Jato]".

No encontro, porém, o peso do vazamento foi minimizado, em comparação com o áudio que derrubou o senador Romero Jucá (PMDB-RR) do Ministério do Planejamento. Além disso, foi levado em conta o fato de Fabiano estar presente na casa do presidente do Senado como "técnico", até mesmo pelo tratamento dispensado aos presentes, principalmente a Renan. Fabiano é servidor do Senado e foi indicado para o CNJ por Renan.

Segundo a reportagem, Machado disse aos procuradores que "foi à casa de Renan para conversar sobre as providências" que ele estava pensando sobre a Lava Jato e afirmou que Silveira e outro advogado, Bruno Mendes, estiveram no encontro.

Ainda no domingo, Fabiano Silveira enviou nota em que negou interferência na Lava Jato e afirmou ter passado "de passagem" na residência do Senado, sem saber da presença de Sérgio Machado. Ele negou relação com Machado e disse que esteve "involuntariamente" e em "conversa informal".

 

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