André Dusek/Estadão
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Planalto quer votar logo a CPMF, diz líder do governo

Deputado José Guimarães comentou sobre as demandas do governo para destravar votações no Congresso

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2015 | 15h07

Brasília - O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), disse que a reunião desta manhã com o ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) focou na agenda econômica e no destravamento das propostas que tramitam na Casa, como o retorno da CPMF e a Desvinculação de Receitas da União (DRU), mecanismo que dá mais flexibilidade ao governo para administrar as despesas.

Guimarães explicou que o Palácio do Planalto quer discutir logo a CPMF e anunciou que haverá uma reunião na próxima quinta-feira com prefeitos para debater o tema. Outra preocupação é dar celeridade à aprovação da DRU na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A DRU é considerada pelo governo como um "degrau" importante para a retomada do crescimento. "A CCJ não pode ficar bloqueando coisa nenhuma", declarou.

Segundo o petista, o governo está disposto a negociar o conteúdo da DRU. "O governo sabe que é necessário recompor a questão dos fundos constitucionais. Em que condições vamos discutir evidentemente será na Comissão Especial. É a admissibilidade na CCJ que precisa sair de lá", emendou. Ele vai defender que seja retirada a vinculação nos fundos constitucionais, como Fundo Constitucional de Financiamento do Norte, Nordeste e Centro-Oeste (FNO, FNE e FCO). Guimarães também destacou o andamento da proposta sobre repatriação de capitais como item fundamental para o pacote do ajuste fiscal.

O deputado adotou um discurso de que a CPMF é um imposto para os "grandes rentistas" e disse que quem ganha menos paga "quase nada". "É fundamental votarmos a CPMF", defendeu. Questionado sobre a revisão da meta fiscal de 2015, ele disse que é algo corriqueiro e que não há nada "extraordinário nisso". "O governo vai fazer a revisão em qualquer momento em função da responsabilidade fiscal que tem com o País", respondeu.

O líder reconheceu que a deterioração do ambiente político "afeta a todos", mas pregou que é preciso votar as matérias independentemente dos problemas políticos. "A palavra de ordem é cautela e paz (política) aqui dentro", comentou. De acordo com ele, os líderes concordaram em "baixar a temperatura" do momento.

O deputado desconversou sobre a tensão em torno do novo pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff em vias de ser protocolado e disse que a pauta é exclusiva da oposição. Segundo ele, o governo apenas toma cuidado para que a "pauta negativa da oposição não contamine a pauta positiva". Já a situação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou Guimarães, "não é assunto de governo". "O cenário que estão apresentando não é cenário de terra arrasada, muito pelo contrário, dá para se construir o diálogo", afirmou.

Sobre o fim da CPI da Petrobras, o petista considera que, após duas prorrogações, a comissão "não tem mais o que fazer". Para ele, a continuidade da CPI só serve à oposição, que busca "palco" político. 

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