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Política

Eduardo Cunha

Planalto negocia pasta para grupo de Picciani

Governo pretende oferecer ao líder do PMDB na Câmara a indicação para a Secretaria de Aviação Civil: Mauro Lopes (MG) é o favorito

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Daiene CardosoIgor GadelhaTânia Monteiro / BRASÍLIA,
O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2016 | 07h51

Após a vitória sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o Palácio do Planalto indicou ao líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), que retomará as negociações para que o parlamentar indique o novo ministro da Aviação Civil. A presidente Dilma Rousseff deve encontrar o deputado fluminense na próxima semana para definir o nome, que deve sair da bancada do partido de Minas Gerais. O favorito é Mauro Lopes, secretário-geral da legenda.

Por 37 votos a 30, e dois votos em branco, Picciani derrotou na quarta-feira o candidato de Cunha na eleição para líder do PMDB na Câmara, Hugo Motta (PB), em uma eleição que o Planalto entrou com força. Chegou até a liberar o ministro da Saúde, Marcelo Castro, para retomar o cargo na Casa e votar em Picciani. O resultado foi considerado um enfraquecimento da ala pró-impeachment e do próprio Cunha, que enfrenta um processo de cassação.

Ontem, a estratégia do governo foi de fidelizar a ala vitoriosa e recompor com os derrotados. O ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) procurou Motta para tentar mantê-lo próximo ao governo. Ao elogiá-lo pela postura na disputa, disse esperar que uma maior parcela do PMDB ajude Dilma a buscar soluções para a crise.

Disse ainda estar aberto a manter a relação de proximidade estabelecida com Motta nas últimas semanas e reforçou que respeita as divergências de parte da bancada, mas que gostaria que buscassem pontos de convergência. O gesto foi visto como uma forma de reaproximação do governo com a ala peemedebista adversária do Planalto e uma sondagem sobre como o grupo vai lidar com Picciani.

Para Berzoini, o momento é de fazer com que a maior parte possível do PMDB se alinhe ao governo para que o partido ajude a sair deste momento de dificuldades da economia. O Planalto sabe que não conseguirá trazer para o seu lado os 30 deputados que votaram em Motta até porque, historicamente, o PMDB é um partido dividido. Mas a ideia é que quanto mais deputados puderem vir para o lado do governo, melhor.

‘Observação’. Até mesmo a ala pró-impeachment ensaia uma trégua com Picciani. O grupo diz que, por enquanto, pretende observar seus próximos passos e ver o que restará do PMDB na Casa, em especial após a janela de 30 dias para troca partidária. A palavra de ordem entre os opositores de Picciani é aguardar um gesto efetivo de reconciliação. Na avaliação do grupo, o líder precisa se conscientizar de que há um grupo significativo de deputados com posição diferente da dele em relação ao governo. “O momento é de observação”, disse Carlos Marun (PMDB-MS).

Articulador da campanha de Motta, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) acredita que, além de observar os passos de Picciani, é preciso acompanhar os desdobramentos do julgamento dos embargos de declaração do rito do impeachment pelo Supremo Tribunal Federal e o fim do prazo da troca de partido. Só assim terão uma avaliação mais precisa da posição de Picciani em seu segundo ano de liderança. A expectativa é que pelo menos seis parlamentares deixem a legenda.

Poucas horas após a vitória de Picciani, o grupo de Hugo Motta já tinha conseguido mapear quem traiu a ala pró-impeachment. Eles acreditam que os “traidores” saíram das bancadas da Paraíba (Estado de Motta), do Tocantins, do Maranhão, do Ceará, do Paraná, de Goiás e de Rondônia.

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