Planalto erra ao chamar Rússia de República Socialista Soviética

Agenda sobre destino do presidente registra nome do país da época em que era formado por outras nações sob regime unipartidário comunista

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2017 | 16h58

MOSCOU - O presidente Michel Temer chega nessa terça-feira, 20, a Moscou para sua primeira viagem oficial como chefe de Estado em meio a uma nova etapa da tempestade política em Brasília. Na semana em que se espera que a Procuradoria-Geral da República (PGR) publique uma denúncia formal contra o presidente, Temer terá uma das mais importantes reuniões diplomáticas de sua gestão. Ele será recebido com honras pelo presidente Vladimir Putin no Kremlin, depois de ter sido preterido na última reunião de cúpula dos BRICS - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, na Índia. 

Do ponto de vista formal, a viagem começou como uma gafe do site do Palácio do Planalto, que chegou a publicar na agenda do presidente a "partida de Brasília para a República Socialista Federativa Soviética da Rússia", quando o nome oficial do país é Federação da Rússia. A denominação empregada pelo Planalto foi usada durante o regime comunista, entre 1917 e 1991, para designar a Rússia no interior da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). O erro de informação permaneceu no ar ao longo de 15 minutos e acabou sendo corrigido.

Temer deveria chegar a Moscou pouco depois das 6h desta terça-feira, 20, ou 0h no horário brasileiro, mas a delegação adiou a partida em três horas. Seu primeiro compromisso oficial acontecerá à tarde, às 14h locais, quando o presidente será recebido por Vyacheslav Volodin, presidente da Câmara Baixa do Parlamento da Rússia, a Duma. Os dois principais eventos, entretanto, serão com Putin e seu primeiro-ministro, Dimitri Medvedev.

Trata-se da primeira oportunidade de encontro bilateral entre Putin e Temer desde outubro de 2016, quando o brasileiro foi preterido pelo russo em Goa, na Índia. Então o chefe do Kremlin realizou encontros bilaterais com os demais chefes de Estado e de governo dos BRICS, mas não com Temer.

A frieza diplomática da parte do governo russo parece ter sido superada, a tal ponto que o brasileiro discutirá o reforço da parceria estratégica entre os dois países, firmada em 2002. Também estão na pauta questões como o comércio bilateral – o Brasil é grande exportador de carne e outros gêneros alimentícios para a Rússia – e cooperações em áreas como ciência e tecnologia. Em paralelo à agenda política, Temer também terá um novo encontro com empresários e investidores russos, como foi o caso quando de sua última visita ao país, ainda como vice-presidente, em outubro de 2015.

Apesar da agenda de política externa, uma das expectativas em torno de Temer em Moscou será sua reação caso o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de fato apresente sua primeira denúncia contra o presidente nessa semana. 

A PRG deve pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que abra uma ação penal contra o presidente por crimes de corrupção passiva, formação de organização criminosa e obstrução da Justiça. Uma quarta acusação, por lavagem de dinheiro, ainda estaria em análise. No último final de semana, Joesley Batista, sócio do grupo J&F, concedeu entrevista à revista Época na qual reiterou suas acusações contra o presidente, definindo-o como chefe da "maior organização criminosa do país". Temer anunciou em nota oficial que abrirá uma ação civil e outra penal contra o empresário.

Apesar da tensão política em Brasília, Temer também confirmou uma segunda viagem em sua turnê pela Europa, incluindo ainda Oslo, na Noruega.

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