Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Planalto considera difícil MDB garantir candidatura a Meirelles

Auxiliares de Temer comparam as articulações do ministro à de um 'mercado de derivativos'

Vera Rosa e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 05h00

BRASÍLIA - O núcleo político do governo considera muito difícil garantir ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que ele será candidato do MDB ao Palácio do Planalto, mesmo se o presidente Michel Temer decidir não disputar novo mandato. Meirelles já foi avisado de que os diretórios do MDB estão divididos sobre os rumos a seguir na campanha e provavelmente criarão problemas para avalizar um “cristão novo” na cabeça da chapa.

Auxiliares de Temer chegaram a comparar as articulações políticas do titular da Fazenda à de um “mercado de derivativos”, que tem alto risco. No Nordeste, por exemplo, uma ala do MDB quer até mesmo apoiar o PT.

Mesmo se a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for mantida e ele não puder concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa, caciques do MDB, como o presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), e seus colegas Renan Calheiros (AL) e Roberto Requião (PR), pretendem subir no palanque de um candidato petista ao Planalto. Argumentam, para tanto, que Lula será um grande cabo eleitoral em qualquer situação, mesmo se estiver preso.

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Nos bastidores, emedebistas dizem que, no atual cenário, é mais fácil o partido apoiar regionalmente um nome do PT do que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB. Apesar de ser de "centro", o tucano está bem afastado de Temer. No Planalto, interlocutores do presidente afirmam que Alckmin parece não querer o seu aval, embora o MDB seja dono do maior tempo no horário gratuito.  

O presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), defende a candidatura de Meirelles, mas o seu grupo, hoje, não é majoritário no partido. Na outra ponta, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, ganha adeptos para o seu diagnóstico de que, apesar da impopularidade e dos percalços enfrentados pelo Planalto, ninguém é melhor do que Temer para defender o governo na campanha.

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“Em política, não podemos deixar de acreditar no que é útil, necessário e natural”, costuma dizer Moreira Franco. “Não estamos preocupados com popularidade.”

Filiação. Meirelles quer concorrer à sucessão de Temer, mas para isso precisa resolver rapidamente se irá se filiar ao MDB e deixar a equipe até 7 de abril, prazo estabelecido pela Lei Eleitoral para que candidatos entreguem os cargos no Executivo. O Estado mostrou nesta quinta-feira, 15, que o ministro vai  propor um acordo ao presidente, na tentativa de tornar viável sua candidatura ao Planalto.

A ideia de Meirelles, hoje no PSD, é sair do governo na reforma ministerial de abril para viajar pelo País em campanha até o começo de julho. Ele avalia que precisa de um tempo para se tornar conhecido, "traduzir" o impacto da melhoria dos indicadores econômicos na vida real da população e aumentar o seu desempenho, que hoje não ultrapassa 2% das intenções de voto.

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A proposta a ser apresentada por Meirelles é que, se o seu nome não decolar no prazo de três meses, ou mesmo se Temer resolver disputar novo mandato, ele retirará a pré-candidatura para apoiar o presidente.

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