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Planalto ainda não tem nome para substituir senador preso na liderança do governo

Delcídio Amaral, detido preventivamente pela Operação lava Jato em novembro, será substituído por Gleisi Hoffmann na Comissão de Assuntos Econômicos

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Isabela Bonfim,
O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2016 | 16h52

BRASÍLIA - A bancada do PT no Senado se reuniu nesta quarta-feira, 3, para debater posicionamentos e definir representações do partido em 2016. Mas ainda não há um nome para a liderança do governo no Senado, que segue com um líder interino há mais de dois meses, quando Delcídio Amaral (PT-MS) foi preso preventivamente pela Polícia Federal.

A decisão cabe ao Palácio do Planalto, mas segundo os senadores da bancada petista, não houve nenhuma sinalização. O líder do governo não precisa, necessariamente, ser do PT e a vaga pode ficar com outro nome da base de apoio, o que aumenta o leque de possibilidades.

"O governo vai procurar encontrar alguém que possa ter trânsito em toda a base de sustentação do governo, que tenha diálogo com a oposição", afirmou o líder do PT na Casa, Humberto Costa (PT-PE). Atualmente, o cargo é exercido interinamente pelo senador José Pimentel (PT-CE), que acumula também o posto de líder do governo no Congresso Nacional.

Quando Delcídio foi afastado, alguns nomes foram apontados, como o do senador Blairo Maggi (PMDB-PR), que possui bom diálogo com parlamentares da base e da oposição. Ele afirmou já ter sido procurado por ministros do Planalto, mas negou qualquer interesse. "Eu acredito que será fácil encontrar um nome que possa desempenhar esse papel que vinha sendo bem desempenhado", opinou Humberto Costa.

Entretanto, o cargo não parece atrativo, já que o líder terá de lidar com divergências entre o governo e a própria bancada do PT, além de defender a aprovação de matérias do interesse da presidente que não são do agrado dos parlamentares, como a CPMF. Da última vez, o governo gastou 5 meses para encontrar um senador disposto a assumir o cargo.

Comissão de Assuntos Econômicos. Delcídio também era presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Para substituí-lo, a bancada do PT na Casa indicou nesta quarta-feira a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Como a presidência da comissão é um cargo eletivo, senadores ainda não sabem como Delcídio pode ser afastado definitivamente do cargo.

"Nós apresentamos o nome da senadora Gleisi Hoffmann para presidir a comissão e agora vamos nos sentar com os demais partidos, especialmente com o PMDB, para construirmos a eleição dela na comissão", explica Humberto Costa. Como o cargo é eletivo, os senadores acreditam que a melhor solução para substituir Delcídio é por meio de outra eleição.

A comissão se encontra diante de um impasse regimental. Preso, Delcídio está impossibilitado de exercer o cargo. Ele pode ser substituído na comissão por um suplente, enquanto a presidência é exercida interinamente pelo vice, Raimundo Lira (PMDB-PB).

Ao mesmo tempo, pela divisão proporcional da bancada, a presidência deve ser exercida por um senador do PT, o que impede Lira de seguir à frente da comissão. Como Delcídio foi eleito para o cargo, ele teria de se afastar voluntariamente. "Temos de ver regimentalmente como faremos a substituição", afirmou Humberto Costa.

Delcídio. Enquanto isso, correm os prazos para Delcídio se defender da representação apresentada contra ele no Conselho de Ética do Senado, processo que pode levar a sua cassação. Ele deve apresentar sua defesa ainda em fevereiro, após o Carnaval. Segundo o líder do PT, a bancada respeita o direito de defesa do senador.

"Vemos o Delcídio como vemos todos que fazem parte do PT e são objeto de investigação, como alguém que tem o direito de se defender. É uma posição de não prejulgar, mas também de não blindar ou proteger", afirmou Humberto Costa.

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