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Picciani avalia como 'desnecessária' presença de Temer na disputa para liderar PMDB na Câmara

Líder do partido na Casa diz acreditar na neutralidade do vice-presidente, mas que escolha da nova liderança deve ser tratada internamente entre os parlamentares da sigla

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Igor Gadelha e Daiene Cardoso,
O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2016 | 16h27

BRASÍLIA - O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), avaliou nesta terça-feira, 12,  como "desnecessária" a presença do vice-presidente da República e presidente nacional do partido, Michel Temer, na disputa interna da bancada. Para o parlamentar, a escolha da nova liderança na Casa deve ser tratada internamente entre os parlamentares do partido.

"Este tema (eleição do novo líder) está sendo tratado no interior da bancada. O conjunto da bancada tem um apreço grande pelo presidente Temer, de modo que particularmente eu acho que é desnecessária a presença do presidente do partido e vice-presidente da República na disputa interna da bancada", afirmou Picciani ao chegar à Câmara.

O parlamentar disse acreditar na neutralidade de Temer na disputa. O vice-presidente, no entanto, tem tentado não deixar suas digitais na disputa. Trata-se de estratégia para não dividir a bancada da legenda, o que poderia atrapalhar seu principal foco neste momento, a reeleição para presidência nacional do PMDB.

Questionado se, diferentemente de Temer, o Planalto não estaria interferindo na disputa, Picciani rechaçou. Apesar dos movimentos confirmados pelo governo, nos bastidores, para conseguir reeleger o deputado fluminense, o parlamentar acredita que o Planalto não faz nenhum movimento para beneficiá-lo na disputa.

"O máximo que pode se dizer é que há um posicionamento político do Planalto em me considerar um aliado. Esse é um posicionamento de natureza política", rebateu Picciani.

Reunião. O deputado se reúne na tarde desta terça-feira, 12, com deputados contrários à sua reeleição para debater as regras para escolher o novo comandante da bancada em 2016. Estão com ele os deputados Darcísio Perondi (RS) e Leonardo Quintão (MG), que chegou a ocupar o posto por uma semana em dezembro, mas foi destituído após Picciani conseguir, com ajuda do governo, maioria de assinaturas.

De acordo com Picciani, o encontro é um "bate-papo" informal, para trocar "ideias" sobre o que é possível "convergir" em relação ao modo como a eleição será realizada. O deputado fluminense defende que, para ser reeleito, precise de metade mais um dos votos da bancada, composta por 67 parlamentares.

Já Quintão e Perondi defendem que, para ser reeleito, o candidato precisa ter 2/3 dos votos da bancada, ou seja, no mínimo 44 apoiamentos. Os parlamentares contrários a Picciani alegam que esse quórum foi acertado com o atual líder logo após sua eleição para liderança, em fevereiro do ano passado.

"O líder é expressão da maioria e não de dois terços. Tanto é assim que este grupo (contrário a Picciani), quando no final do ano me afastou da liderança por um semana, fez por uma lista que tinha apenas uma assinatura acima do mínimo necessário, portanto referendando este quórum", rebateu Picciani.

Sugestões. Quintão e Perondi levaram à reunião uma lista com sugestões de regras. Eles defendem que somente os deputados titulares, "independentemente de estarem no exercício do mandato", tenham direito a voto. "Por exemplo, poderão votar ministros e secretários de Estado sem necessidade de licenciamento do cargo".

Os peemedebistas contrários a Picciani sugerem também que as chapas possam ser registradas até as 18 horas de 25 de janeiro e que eleição seja realizada em 3 de fevereiro, às 16 horas, por meio de votação secreta. A votação secreta também é defendida pelo atual líder do PMDB.

Quintão e Perondi defendem ainda que a comissão especial do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara deva ser composta igualitariamente com as duas tendências da bancada: a favor e contra o afastamento da petista. Picciani já sinalizou que irá contemplar todas as alas da sigla nas indicações.

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