Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Picciani recebeu R$ 11 milhões da Odebrecht, aponta denúncia

De acordo com o Ministério Público Federal, dinheiro foi pago ao deputado entre 2008 e 2014

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2017 | 12h41

RIO - O presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por ter recebido R$ 11,1 milhões da construtora Odebrecht, segundo a investigação. Desse valor, R$ 4,5 milhões teriam sido depositados no exterior. A denúncia, oferecida à Justiça na noite dessa quarta-feira, 6, lista os crimes de evasão de divisas, formação de cartel, fraude a licitações, corrupção, lavagem de ativos e organização criminosa.

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De acordo com os investigadores, Picciani recebeu as propinas de 2008 a 2014. A informação está em uma planilha recebida pelo MPF após a formalização do acordo de leniência com a construtora. Os dados sobre o parlamentar foram repassados pelo executivo da empresa Benedicto Júnior, que firmou acordo de delação premiada.

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Benedicto informou que a alcunha de “Grego” na planilha se referia a Picciani. O empresário, que integrava o núcleo econômico responsável por realizar o pagamento de propina aos deputados estaduais, afirmou que o repasse se dava por meio de doações oficiais a campanhas políticas e por meio de pagamentos clandestinos. Muitos foram registrados no sistema de contabilidade paralela desenvolvido pela empresa, conhecido como Drousys.

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No Rio, os pagamentos de propina da Odebrecht a Picciani seriam feitos pelo doleiro Álvaro Novis. Teriam sido recebidos por Jorge Luiz Ribeiro, operador financeiro de Picciani, a quem cabia receber e ocultar o dinheiro da corrupção, segundo a denúncia.

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De acordo com o MPF, a propina era paga a Picciani para que ele intercedesse em favor da empresa em várias ocasiões. O deputado teria editado atos normativos do Legislativo e direcionado licitações à Odebrecht em obras iniciadas durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).

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"Os pagamentos não cessaram mesmo quando ele ficou sem mandato (2011/2014). De um lado, por configurarem-se em dividendos de 'serviços' já prestados. De outro, pela inegável necessidade do apoio desse influente político que, mesmo sem mandato, presidia o diretório estadual do PMDB-RJ. Para que a organização criminosa operante no governo de Sérgio Cabral pudesse prosseguir na prática dos seus crimes, era necessário continuar contando com o apoio de Jorge Picciani, cuja ascendência e liderança sobre os parlamentares estaduais sempre foi notória", afirmaram os procuradores na denúncia.

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O Estado tenta ouvir as defesas de Picciani e Cabral. Ambos estão presos na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte carioca, com outros politicos investigados. 

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