1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

PGR pede abertura de novo inquérito contra Eduardo Cunha

- Atualizado: 29 Fevereiro 2016 | 22h 20

Investigação é 3ª que irá tramitar na Corte contra o peemedebista

BRASÍLIA - A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de abertura de um novo inquérito contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no âmbito da Operação Lava Jato. É a terceira investigação que irá tramitar na Corte contra o peemedebista com base nas investigações sobre corrupção na Petrobrás. A nova solicitação para investigar Cunha foi encaminhada à Corte na última quarta-feira e tem como base delações dos empresários da Carioca Engenharia, Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior.

A suspeita dos investigadores é de que Cunha tenha pedido propina no valor de R$ 52 milhões para intermediar a liberação de verbas do FI-FGTS para empresas e recebido os valores em contas na Suíça e Israel. A intenção era levantar R$ 3,5 bilhões em recursos do fundo, de uma só vez, para viabilizar o projeto do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. 

Para procuradores ligados ao caso, o peemedebista se valia de sua influência junto ao ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto para negociar as liberações. A suspeita levantada por Pernambuco e pelo filho na delação foi revelada no ano passado pela revista Época. Os delatores relataram que Cunha foi responsável por acertar e cobrar a propina.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

A Carioca Engenharia é sócia da Odebrecht e da OAS na concessionária Porto Novo, responsável pela revitalização da zona portuária do Rio. Em 2011, um fundo imobiliário gerido pela Caixa comprou o lote todo de títulos da região e desembolsou de uma vez R$ 3,5 bilhões do FGTS, com objetivo de financiar parte das obras na região.

O pedido de abertura de inquérito deve ser analisado pelo relator da Operação Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki, para que a investigação tenha início. A defesa do parlamentar não retornou o contato da reportagem até o fechamento desta edição.

Cunha já é alvo de uma denúncia e de mais um inquérito perante a Corte. A primeira investigação aberta contra o parlamentar no âmbito da Lava Jato apurou o recebimento de US$ 5 milhões em propina pelo parlamentar por contratos de compras de navios-sonda pela Petrobras. Por este fato, Cunha foi acusado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O plenário do STF agendou para a próxima quarta-feira, 2, o julgamento sobre o recebimento da denúncia de Cunha.

A segunda investigação contra o parlamentar, aberta desde outubro do ano passado, tem como base a existência de contas na Suíça que teriam Cunha e a família como beneficiários. Ele, a esposa e uma de duas filhas são investigados no STF com base em documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça ao Brasil em outubro, com suspeita de que um contrato de US$ 34,5 milhões fechado pela Petrobrás em 2011, no Benin, na África, serviu para irrigar as quatro contas no país europeu que tinham como beneficiários Cunha e sua esposa. No ano passado, Zavascki determinou o bloqueio e o sequestro de cerca de 2,4 milhões de francos suíços (cerca de R$ 9,6 milhões), que, segundo a PGR, eram mantidos pelo peemedebista em contas na Suíça.  

Janot pediu, em dezembro do ano passado, o afastamento do peemedebista do cargo de deputado ou, ao menos, da presidência da Câmara, por uso da função em proveito próprio e tentativa de atrapalhar investigações criminais. O STF deve analisar o pedido após a definição sobre o recebimento da denúncia já oferecida contra o parlamentar.

Procurada, a defesa de Cunha informou que ainda não tomou conhecimento do pedido de abertura do inquérito. A defesa de Cleto não foi localizada.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em PolíticaX