PF prende prefeito de Macapá por suspeita de envolvimento em licitações fraudulentas

Prisão de Roberto Góes é desdobramento da Operação Mãos Limpas

ALCINÉA CAVALCANTE, Agência Estado

18 Dezembro 2010 | 12h42

A Polícia Federal prendeu na manhã deste sábado o prefeito de Macapá, capital do Amapá, Roberto Góes (PDT). O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo ministro Otávio Noronha, do STJ. Góes foi preso por volta das 7 horas em sua casa e será conduzido em avião da FAB ainda hoje para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde, depois ser ouvido deverá ser transferido para o presídio da Papuda, onde um de seus assessores na Prefeitura, Luís Adriano Ferreira, está preso desde o dia 25 de outubro. A prisão do prefeito Roberto Góes é desdobramento da Operação Mãos Limpas.

 

Deflagrada em 10 de setembro para desmontar uma organização criminosa composta por servidores públicos, autoridades, agentes políticos e empresários que praticava desvio de recursos públicos do Estado e da União, a Operação Mãos Limpas já prendeu 27 pessoas, conduziu para depoimento mais de uma centena de pessoas, entre elas o prefeito de Macapá. Foi apreendida grande quantidade de documentos em empresas, repartições públicas e residências.

Desde então, o prefeito foi conduzido de forma coercitiva três vezes para prestar depoimento na Polícia Federal e neste sábado foi preso acusado de ocultar e destruir provas, atrapalhando as investigações sobre desvios de recursos da União, licitações e contratações fraudulentas.

 

Cronologia

 

Anteontem, a PF cumpriu vários mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva, numa continuidade da Operação Mãos Limpas. O alvo foi a Assembleia Legislativa do Estado. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em gabinetes de deputados, residências de funcionários e no anexo da Casa, onde funciona a Secretaria de Finanças. Vários funcionários foram conduzidos à sede da PF para depor. No último dia 9, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nas secretarias municipais de Administração e Finanças.

 

Foram apreendidos computadores e documentos. A PF encontrou também, numa das salas, a quantia de R$ 35 mil que suspeita tratar-se de propina paga por empresários beneficiados pela Prefeitura. Vários funcionários das duas secretarias foram conduzidos para depor na Polícia Federal. No dia 25 de outubro, a PF prendeu assessores e parentes do prefeito acusados de ocultar, alterar ou destruir provas e ameaçar testemunhas.

Dias antes, a PF já havia apreendido na casa de uma sobrinha do prefeito, Brenda Góes, várias pastas com documentos da Secretaria Municipal de Educação. Eram processos licitatórios que seriam "maquiados" na casa de Brenda para dar aspectos de legalidade.

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