1. Usuário
Assine o Estadão
assine


PF faz buscas na sede da Petrobrás

Atualizado às 15h06 - Idiana Tomazelli e Andreza Matais

11 Abril 2014 | 12h 40

Ação integra segunda etapa da Operação Lava Jato, que investiga relação de esquema de lavagem de dinheiro de empresas que prestam serviços à estatal

Rio - Agentes da Polícia Federal (PF) realizaram buscas na sede da Petrobrás nesta sexta-feira, 11, de acordo com informações de um segurança da entrada do estacionamento do prédio, na Avenida Chile, no centro do Rio. A ação faz parte da segunda etapa da Operação Lava Jato, de combate a lavagem de dinheiro.

A PF cumpre 23 mandados de busca, apreensão e prisão nas cidades de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Macaé e Niterói. Estão previstas duas prisões temporárias, seis conduções coercitivas – quando a pessoa é levada apenas para prestar depoimento – e 15 buscas e apreensão. Os números foram atualizados à tarde pela PF - que pela manhã havia informado o cumprimento de 21 mandados, sendo dois de prisão, quatro conduções coercitivas e 15 de busca e apreensão.

"A PF representou por estes mandados para buscar documentos que auxiliem os trabalhos da investigação. O material arrecadado hoje contribuirá para os relatórios finais dos inquéritos em andamento", informa nota publicada pela Polícia Federal

Nesta fase da operação o foco são as relações do esquema criminoso com a Petrobrás. A estatal foi procurada, mas ainda não se pronunciou.

Na primeira etapa, desencadeada em março, a polícia prendeu o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Segundo o profissional da estatal, ele foi informado da entrada dos agentes da PF pelo colega do turno anterior. A passagem de turno ocorre às 10 horas. Por isso, o segurança ouvido pelo Estado não soube precisar quanto tempo os policiais ficaram no prédio, nem o horário exato da chegada.

De acordo com o segurança da sede da Petrobrás, os policiais entraram à pé, pelo estacionamento, e foram recebidos por funcionários do setor jurídico da estatal, que desceram para receber os agentes da PF. Perguntado se os policiais foram cumprir mandados de busca, o segurança respondeu: "Não eram mandados, mas intimações".

Questionados se ele ou o colega haviam visto os documentos mostrados pelos policiais, o segurança respondeu negativamente, creditando a informação aos advogados da Petrobrás.

Uma das empresas que estariam sendo investigadas nesta etapa da operação seria a Ecoglobal Ambiental, com sede em Macaé (RJ), que fechou contratos sem licitação com a estatal nos últimos anos. O sócio majoritário da empresa, Vladimir Magalhães da Silveira, foi levado para prestar depoimento e será liberado em seguida. O Estado tentou contato com a empresa, mas ninguém quis falar sobre o assunto. A PF estaria investigando um contrato específico entre a Ecoglobal e a Petrobrás que não teria sido publicizado.

A Petrobrás contratou Ecoglobal pelo menos duas vezes. Em abril de 2009, a estatal fechou um contrato de R$ 9,5 milhões para serviços técnicos especializados de recuperação de efluentes. Em janeiro de 2010, a petroleira contratou a mesma empresa para serviços de tratamento e descarte de água oleosa, por R$ 4,8 milhões.

Primeira etapa. Alberto Youssef foi preso no dia 17 de março, sob suspeita de lavar dinheiro de propinas de fornecedores da petroleira. A primeira fase da operação focou na atuação dos doleiros. A operação cumpriu 24 mandados de prisão, além de apreender documentação, veículos, obras de arte e joias em 17 cidades de seis Estados e no Distrito Federal. Youssef já havia sido condenado no caso Banestado, esquema montado nos anos 90 de evasão para o exterior de US$ 30 bilhões. Entre os presos estava também o ex-sócio da Bônus-Banval Enivaldo Quadrado, condenado por envolvimento no mensalão.

Três dias depois, Paulo Roberto da Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, foi preso pela Polícia Federal sob a suspeita de corrupção passiva em razão de suas relações com o doleiro. Em sua casa, a PF encontrou grande quantia de dinheiro em espécie - US$ 180 mil e R$ 720 mil.Costa também é investigado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro por irregularidades na compra pela Petrobrás da refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos. O ex-diretor foi um dos responsáveis por elaborar o contrato da compra da refinaria.