PF encontra ´inconsistências´ em documentos de Renan

Por conta dessas deficiências, PF deixou de emitir um laudo conclusivo; relatório não descarta hipótese de que os documentos possam ter sido maquiados

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h54

Inconsistência de dados e incompatibilidade na cronologia entre as datas das operações de venda de gado com os cheques de pagamento e os recibos impediram a Polícia Federal (PF) de atestar como autênticos os documentos entregues pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para comprovar a origem do dinheiro da pensão paga à jornalista Mônica Veloso, com quem ele tem uma filha. Por conta dessas deficiências, a PF deixou de emitir um laudo conclusivo. Entregue na noite desta terça-feira, 19, ao presidente do Conselho, Sibá Machado (PT-AC), o relatório não descarta a hipótese de que os documentos possam ter sido maquiados. "É preciso ter mais elementos para dizer se os documentos são ou não autênticos, ou se houve adulterações", disse um perito que teve acesso à análise. A perícia é assinada pelo chefe do setor, Clênio Beluco, que já atuou em vários casos relevantes, como o inquérito Mensalão/Correios, que investigou um esquema de fraudes em licitações e caixa 2 na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), e o dos Sanguessugas, que investigou a máfia das ambulâncias superfaturadas, adquiridas com emendas de parlamentares. Dos vários quesitos de perícia analisados, apenas um confere: a assinatura de Renan nos recibos e outros documentos. Todos os demais precisam de "análise mais acurada", conforme a fonte. Ou seja, não é possível analisar se houve venda de gado e, em tendo havido, quantos bois saíram do pasto para o açougue. Também não foi possível confirmar se é verdadeira a informação das Guias de Trânsito de Animais (GTAs), os registros da fazenda e outros documentos relativos ao tamanho do rebanho das fazendas do senador e quantos bois foram comercializados. Feito às pressas, a partir do sábado passado, o trabalho envolveu seis peritos de Brasília e um de Alagoas, que fez diligências na Secretaria da Fazenda e no Departamento de Inspeção Animal. Caso o Senado autorize uma perícia completa, será checada também a idoneidade das empresas que forneceram recibos, notas e outros documentos repassados ao Conselho de Ética do Senado por Renan. O senador alega ter faturado R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos com a venda de gado. Outra dificuldade da perícia é que Renan não é alvo de investigação ou devassa fiscal, o que dependeria de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que ele tem direito a foro especial. Normalmente, segundo a PF, a perícia de documentos demora uma semana. Por se tratar de laudo parcial, para atender a uma demanda específica do Conselho de Ética, decidida na sexta-feira passada, o trabalho inconclusivo levou apenas três dias.

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