PF diz se Renan falsificou documentos nesta terça

Peritos analisam autenticidade de notas apresentadas na defesa do senador

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h54

A Polícia Federal entregará o laudo sobre a autenticidade dos documentos de defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), as 11 horas desta terça-feira, 19, ao presidente do Conselho de Ética, senador Sibá Machado (PT-AC). Renan é acusado de fraudar notas fiscais, recibos, guias de depósitos, cheques e GTAs relacionados às suas atividades agropecuárias. Ele alega ter faturado R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos com a venda de gado - verba que teria utilizado para pagar a pensão de sua filha de 3 anos com a jornalista Mônica Veloso. Pressionado e sem um relator, Sibá adiou para quarta-feira, 20, a sessão que decidirá o futuro de Renan, com a justificativa também de que só receberá nesta manhã a perícia da PF. "Temos de estudar os papéis." O diretor da Secretaria de Controle Interno do Senado, Shalom Granado, iniciou na segunda-feira em Maceió o exame das atividades agropecuárias de Renan. "O que tiver de aparecer vai aparecer naturalmente", afirmou ele, esquivando-se de comentar o fato de ter de investigar o presidente da Casa, seu superior hierárquico. Uma equipe de seis peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) foi escalada pela Polícia Federal para virar a noite trabalhando na análise de todos os documentos relacionados à defesa de Renan. Autorizada pelo Senado, a PF estendeu a investigação para a idoneidade das empresas que forneceram os documentos e constatou que alguns deles são frios. Concluiu também que algumas empresas são inidôneas. Depoimentos O relator do caso no Conselho de Ética, Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que na semana passada tentou arquivar o caso sem ouvir as testemunhas, se afastou. Sibá Machado não conseguiu um substituto e teve de fazer as vezes de relator para ouvir os depoimentos na segunda-feira, 18, do advogado de Mônica, Pedro Calmon Filho, e o do lobista da construtora Mendes Júnior Cláudio Gontijo, acusado de cobrir despesas do parlamentar. Pedro Calmon Filho declarou que o cacique alagoano pagou "por fora" R$ 9 mil mensais à jornalista, em 2006, fruto de um acordo para completar a pensão da filha. Mas não parou aí: contou que Mônica recebeu duas sacolas de dinheiro vivo de Renan, totalizando R$ 100 mil. A tropa de choque do presidente do Senado, na ânsia de rebater as declarações do advogado, revelou trechos do processo envolvendo Mônica e Renan, que corria em segredo de Justiça. O advogado da jornalista, irritado, usou outro trecho do processo para reforçar as suas acusações. "É mentira", bradou o advogado de Renan, Eduardo Ferrão, do fundo do plenário. Renan também reagiu, chamando Calmon de "Pinóquio". Cláudio Gontijo não gostou de ser chamado de lobista e defendeu o senador. Pela temperatura política, porém, a situação do peemedebista piorou. Declaração de IR Segundo um dos senadores do Conselho de Ética, os R$ 100 mil que Renan Calheiros admite ter pago em dinheiro vivo à Mônica Veloso em 2006 não constam de sua declaração de Imposto de Renda. O conselho teve acesso às declarações, entregues pelo próprio Renan. O vazamentos de informações sigilosas relacionadas ao processo que corre em segredo na Vara de Família, envolvendo Renan e Mônica, incluindo o acordo "por fora" para complementar com R$ 9 mil a pensão alimentícia para a filha, também irritou alguns senadores. Para eles, o pagamento de pensão de R$ 3 mil, em dezembro de 2005, era compatível com sua renda como senador e não se justifica um valor maior. "Se não podia pagar mais, como pagou por fora? E o por fora está na declaração de renda? Ele vai ter de se explicar com a Justiça", reclamou Demóstenes Torres (DEM-GO). Declaração de IR Segundo um dos senadores do Conselho de Ética, os R$ 100 mil que Renan Calheiros admite ter pago em dinheiro vivo à Mônica Veloso em 2006 não constam de sua declaração de Imposto de Renda. O conselho teve acesso às declarações, entregues pelo próprio Renan. O vazamentos de informações sigilosas relacionadas ao processo que corre em segredo na Vara de Família, envolvendo Renan e Mônica, incluindo o acordo "por fora" para complementar com R$ 9 mil a pensão alimentícia para a filha, também irritou alguns senadores. Para eles, o pagamento de pensão de R$ 3 mil, em dezembro de 2005, era compatível com sua renda como senador e não se justifica um valor maior. "Se não podia pagar mais, como pagou por fora? E o por fora está na declaração de renda? Ele vai ter de se explicar com a Justiça", reclamou Demóstenes Torres (DEM-GO).

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