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PF apura vínculo entre ex-diretor da Petrobrás e contratada da Copa

Fábio Fabrini e Fausto Macedo - O Estado de S. Paulo

05 Junho 2014 | 22h 24

Papéis apreendidos em casa de Paulo Roberto Costa referem-se à Value Partners, que recebeu R$ 15,6 mi do Ministério do Esporte

Daniel Castellano/Gazeta do Povo - 19.05.2014
Costa deixou prisão em Curitiba no dia 19 de maio

A Polícia Federal suspeita que o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa tenha vínculo com empresa que prestou consultoria ao Ministério do Esporte no planejamento da Copa de 2014. Na casa do ex-diretor, a PF apreendeu papéis referentes a contratos da Value Partners do Brasil, que recebeu R$ 15,6 milhões entre 2010 e 2013 para apoiar o gerenciamento e a realização do Mundial.

A Value Partners integrou o Consórcio Copa 2014, contratado pelo governo em 2009 para assessorá-lo em tarefas como a elaboração da matriz de responsabilidades (plano de obras de infraestrutura prioritárias nas cidades-sede) e a análise dos projetos de lei relacionados à competição. A contratação inicial, de dois anos, foi renovada por mais dois. Ao todo, as empresas receberam ao menos R$ 29,4 milhões, segundo a PF. Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades nos pagamentos. 

Os documentos apreendidos estavam gravados em computador encontrado na residência de Costa, no Rio, durante buscas da Operação Lava Jato, que apura esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. O ex-diretor foi preso pela PF em março e solto no mês passado, por ordem do Supremo Tribunal Federal. Ele é réu em processo por suposto desvio de recursos da Petrobrás, entre 2009 e 2014, de contratos superfaturados de obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

No material apreendido pela PF, constam planilhas de preços do Esporte que serviram de referência para a licitação; cartas e ofícios das integrantes do consórcio a autoridades da pasta; recibos de transações financeiras entre as sócias; além de papéis referentes a contratos, distratos e alterações societárias das prestadoras do serviço de consultoria.

A Value Partners do Brasil é braço de empresa homônima, sediada na Europa, oficialmente controlada pelo italiano Alberto Antoniolli. Segundo documentos em poder da PF, a empresa é a antiga Spectrum Strategy, que prestou serviços a entidades esportivas internacionais, entre elas a própria Fifa. Nos papéis localizados pela PF, há citações a negócios da Value com a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa).

‘Abrir portas’. O relatório das apreensões, obtido pelo Estado, menciona dois boletos de pagamento a uma empresa do ramo imobiliário, nos quais consta como “sacado” o gerente executivo da Value Partners do Brasil, Rogério Carvalho dos Santos.

À reportagem, ele disse que sua empresa procurou Costa em busca de parceria com a consultoria do ex-diretor, a Costa Global, após ele deixar a Petrobrás, em 2012. Segundo Carvalho, esse tipo de associação é praxe com pessoas que, no mercado, “são abridores de porta”. A sociedade, porém, não foi adiante, segundo ele.

A PF também encontrou na casa de Costa documentos de negócios da Value Partners com a Petrobrás Distribuidora. Os papéis incluem planilha de preços de licitação para uma consultoria, além de dois contratos da empresa com a subsidiária da estatal. Um deles, de R$ 200 mil, para “avaliação econômico-financeira de uma distribuidora de produtos químicos”; o outro, de R$ 495 mil, para serviços na área de “eficiência energética”. 

O relatório da PF, de 15 de maio, não é conclusivo sobre as apreensões e aponta a necessidade de mais investigações. “O ‘busílis da questão’ é o fato de esses documentos estarem gravados no equipamento encontrado em um imóvel vinculado a Paulo Roberto (Costa)”, diz o texto.